Chris Froome tornou-se no segundo britânico a vencer o Tour, seguindo as pisadas de Bradley Wiggins, campeão em 2012. Mas o ciclista da Sky bem podia ser hoje o primeiro africano a inscrever o seu nome no palmarés da emblemática corrida, não fosse ter adotado outra nacionalidade.
Froome nasceu a 20 de maio de 1985 em Nairobi, capital do Quénia, país para onde os avós maternos, oriundos da Grã-Bretanha, emigraram para trabalharem numa quinta de cultivo. A mãe, Jane, também nasceu no mesmo país, sendo que o pai, Clive, é britânico, tendo chegado a representar o país nas seleções jovens como jogador de hóquei em campo.
A primeira experiência do ciclista da Sky com a modalidade aconteceu aos 12 anos, quando a sua mãe organizou uma prova de ciclismo, que contou com a participação do então corredor profissional David Kinjah, que viria a assumir um papel decisivo no futuro desportivo de Froome, ao tornar-se no seu mentor. Começaram a treinar juntos em bicicleta de montanha nos terrenos rurais a norte da capital do Quénia, até que aos 14 anos, Chris Froome e a família passam a residir num outro país africano: a África do Sul. Aqui continua os estudos, chegando mesmo a frequentar a Universidade de Joanesburgo, onde fez os dois primeiros anos do curso de Economia. Mas o bichinho da bicicleta já lá estava, tendo gradualmente participado em provas para chegar a profissional aos 22 anos. Já nesta altura, revelou-se essencialmente um trepador.
A carreira do britânico ganhou impulso depois de, em 2008, ingressar na formação da Barloworld, onde seria companheiro de equipa do português Hugo Sabido. Nessa época, então com 23 anos, participa também pela primeira vez no Tour, onde alcança um modesto 84.º posto, numa edição ganha pelo espanhol Carlos Sastre. As suas performances acabaram por chamar a atenção de olheiros britânicos, que viram em Froome um potencial valor para representar a Grã-Bretanha. Bastava apenas convencer o corredor a adotar outra nacionalidade. Froome gostou da ideia, não escondendo que queria muito ter passaporte britânico. Isto apesar de, dois anos antes, em 2006, ter representado o Quénia no Campeonato do Mundo de 2006 em Sub-23, onde conseguiu o 36.º lugar na prova de contrarrelógio, depois de uma queda.
Com o fim da Barloworld e já com nacionalidade britânica, Chris Froome fez parte do projeto que levou à criação de uma nova equipa ProTour e que viria a tornar-se numa das melhores do pelotão mundial. Falamos da Sky, que surge em 2010. O seu primeiro grande resultado surge em 2011, com a obtenção do 2.º lugar na Volta a Espanha, atrás do espanhol Juan José Cobo.
Mas seria no ano seguinte que Froome mostrava as suas “garras” e curiosamente no papel de aguadeiro. O triunfo de Bradley Wiggins no Tour de 2012 muito se deve ao seu trabalho e não fosse mesmo ter de ajudar o compatriota e colega de equipa seria ele o vencedor. A “vingança” chegaria em 2013.
Ainda no defeso da época, já Froome reclamava o estatuto de ser este ano candidato a lutar pela camisola amarela, nem que isso tenha criado um certo mal estar em Bradley Wiggins, que, após desistência no Giro devido a queda, abdicou do Tour alegando não estar em condições físicas.
Em suma, o queniano branco provou na estrada que estava certo, quando desde muito cedo reivindicou o estatuto de chefe de fila da Sky para o Tour de 2013.
Mas nem tudo é um mar de rosas na vida do novo herói do pelotão mundial. Desde muito cedo que o britânico luta contra uma doença rara parasitária, que dá pelo nome de esquistossomose ou bilharzíase e que se desenvolve essencialmente em quem trabalha na irrigação na agricultura, atividade dos avós de Froome quando chegaram ao Quénia. Atinge sobretudo a pele. Foi por causa desta doença, aliás, que Froome andou um pouco “desaparecido”, até que em 2011 surgiu em força no pelotão.
Depois de vários anos a tentar saber ao certo o que tinha (chegou-se a pensar em mononucleose), os médicos da Sky, após varias análises ao sangue, conseguiram finalmente chegar a um diagnóstico. Foi então que começou a submeter-se a intensos e agressivos tratamentos ao nível da quimioterapia. Mas a batalha não está de todo ganha. Em setembro ou outubro, Froome terá de realizar mais tratamento. “Não posso correr ou treinar quando estou a tomar a medicação”, disse.