UM DIA muito importante para Paulo Martins, do Gresco/Tavira. Após dois meses e meio de trabalho árduo para recuperar de uma queda sofrida no Grande Prémio Telecom, o ciclista regressou ontem à competição e ao convívio com os colegas. E logo no mítico Porto-Lisboa.
”Antes da prova começar estava muito nervoso, pois iria concretizar um sonho, o de recomeçar a correr muito antes do previsto”, confessou Paulo Martins, que, recorde-se, ficou bastante maltratado numa perna, tendo sido operado no Hospital de São José. Os prognósticos chegaram, inclusive, a ser bastante pessimistas, ao ponto de ter de deixar de correr.
”Estou bastante contente com os resultados da recuperação, que superou todas as expectativas. Davam-me cerca de seis meses para voltar a andar de bicicleta”, disse Paulo Martins, que, ontem, foi um dos 21 desistentes do Porto-Lisboa, dos 71 que partiram da Praça da Batalha.
”O que me fez parar foi apenas a fadiga e o cansaço. O objectivo era chegar a Coimbra [115 quilómetros de prova], mas como me estava a sentir bem, continuei por mais algum tempo”, explicou o corredor do Gresco/Tavira, que abandonou ao quilómetro 195.
Agora, Paulo Martins continuará a seguir a preparação que tem feito até aqui – cerca de 2 a 3 horas diárias de treino de bicicleta, fisioterapia e treino de ginásio –, para poder participar, já em melhores condições, nos Campeonatos Nacionais, e, quem sabe, no GP Internacional de Torres Vedras, disputando-se, ambas as competições, no início do próximo mês.
”Em 20 dias, fiz quase 2000 quilómetros”, referiu Martins, destacando, igualmente, o papel que a sua força de vontade e o apoio da família, amigos, colegas e directores da equipa teve na espectacular recuperação.
Quanto à Volta a Portugal, o ciclista está consciente de que este ano não poderá marcar presença. ”Para fazer uma Volta é preciso estarmos a cem por cento.”