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Sempre teve curiosidade em saber como é a alimentação de um ciclista de topo durante uma grande volta como o Giro? A Sky decidiu satisfazer a curiosidade dos fãs da modalidade, aproveitando igualmente para tentar dissipar as dúvidas que constantemente pairam sobre Chris Froome, a principal referência da equipa.
À BBC Sport, e para lá de revelar o esquema de treinos do ciclista (que durante o Giro, a determinada fase, procurou perder peso), a formação britânica deu conta do esquema de nutrição utilizado na recente Volta a Itália, ganha pelo britânico, com especial ênfase nas etapas 11 e 19. A primeira era uma tirada mais ou menos plana, sem grandes objetivos para Froome, ao passo que a 19.ª coincidia com a derradeira chega em alto, a Bardonecchia, o que obrigou a grandes diferenças naquilo que o ciclista ingeriu ao longo dos dias. Refira-se que a 19.ª tirada foi também aquela em que Froome se destacou, ao andar mais de 80 quilómetros ao ataque.
Passemos então a detalhar aquilo que Froome consumiu, antes, durante e depois das duas etapas em causa, isto segundo os dados enviados à BBC Sport.
Etapa 11
Pequeno almoço (524 kcal)
Durante a etapa (981 kcal)
3 bidões de água, 5 géis e 5 tostas de arroz
Recuperação (516 kcal)
Arroz e frango, acompanhado de água
Jantar (445 kcal)
À base de arroz e proteína
Total do dia: 2466 kcal
(407 gramas de hidratos, 139g de proteína e 32g de lípidos)
ETAPA 19
Pequeno almoço (996 kcal)
200ml de sumo, 400 gramas de arroz, omelete (3 claras e 1 gema), 4 panquecas com compota e chá verde com mel
Durante a etapa (2348 kcal)
14 géis, 4 tostas de arroz e 2 Beta Fuel, da SIS
Recuperação (2348 kcal)
70g de smoothie de recuperação, Haribo (gomas), 400 gramas de arroz e quatro pedaços de banana
Jantar (971 kcal)
Arroz e alguma proteína
Total do dia: 6663 kcal
(1305g de hidratos, 143g de proteína e 88g de lípidos)
A diferença entre ambos os dias é colossal. Froome ingeriu o triplo das calorias na etapa 19 em comparação com a 11, sendo que praticamente metade dessa ingestão aconteceu no pós etapa. Uma técnica utilizada para recuperar os níveis de glicogénio muscular, de forma a deixar o ciclista pronto para a etapa seguinte.
O nível de detalhe da Sky vai mais longe, com um esquema bem claro de onde deveria ser feito cada reabastecimento, assim como onde deveriam estar os seus colegas e aquilo que teriam de transportar. Incrível acaba por ser o facto de terem dividido a etapa 19 em pequenas secções, nas quais faziam o cálculo do gasto calórico do ciclista, apontando em seguida quanto teria de ingerir para repôr o que havia gasto. Tudo planeado ao pormenor, de forma a que nada pudesse falhar.
Nos dados enviados à BBC Sport, Froome e a Sky partilharam igualmente dados mais técnicos, como os planos de treino e de prova para o Giro, assim como a potência gasta em cada ponto da etapa de montanha e o ritmo cardíaco médio e máximo em cada zona da etapa. Neste aspeto, refira-se que Froome tinha um ritmo cardíaco de 32 bpm de manhã ao acordar, ao passo que no esforço máximo chegou às 152.
Por Fábio Lima