Escalada mítica da Volta reedita duelo antigo
Para muitos a Volta a Portugal só começa, verdadeiramente, hoje, com a realização da quinta etapa, entre Favaios e Mondim de Basto, que tem o seu epílogo no mítico Alto da Senhora da Graça.
A provar a “máxima”, dois dos mais experientes trepadores do pelotão nacional, Joaquim Gomes (Carvalhelhos/Boavista) e Quintino Rodrigues (CCC Polsat), só, agora, prometem atacar em força e tentar ganhar algum protagonismo em mais um duelo na clássica de pronunciadas subidas, que consagrou por uma vez o ciclista da equipa nortenha (1990) e duas o da turma polaca (1992 e 1993).
“Tenho muito boas recordações do Alto da Senhora da Graça, pois foram duas das vitórias da minha carreira mais saborosas. Para além disso, costumo acabar a corrida sempre bem classificado, exceptuando o ano de 2000, em que houve demasiadas complicações com a equipa do Benfica. De resto, é uma prova muito selectiva, que se adapta bem às minhas características”, considerou Quintino Rodrigues, que destaca como adversários principais o eterno rival Joaquim Gomes – “é um ciclista explosivo, muito forte e resistente”, elogiou –, o suíço Fabian Jeker (Maia/Milaneza/MSS), o russo Andrei Zintchenko (LA Pecol) e o espanhol Fernando Escartin (Team Coast).
Veterania
O veterano Joaquim Gomes (36 anos) está supermotivado para realizar uma boa tirada – “se não ‘aparecer’ nesta etapa, quais seriam as minhas hipóteses?”, questionou –, realçando que é destes duelos que mais gosta: “O Alto da Senhora da Graça, a Torre, Cabeço de Mouro e o contra-relógio do último dia da Volta (Queluz-Sintra) são as etapas que irão decidir a competição. São quatro dias que marcarão a diferença entre os concorrentes, dadas as duras exigências. Sinto-me numa boa forma e o meu desejo é lutar com os principais favoritos ao triunfo, pois são excelentes as recordações das minhas chegadas a Mondim de Basto. Embora tenha poucas vitórias, fiquei várias vezes em segundo lugar, mas em posições privilegiadas para, por exemplo, roubar muito tempo aos adversários e conquistar a camisola amarela.”
Sobre os adversários principais, o corredor axadrezado teme mais os chefes-de-fila dos conjuntos mais credenciados do que, propriamente, o rival Quintino Rodrigues, a quem teceu elogios, pois foi um dos principais opositores na Volta a Portugal de 1993, perdendo para o “polaco” em Mondim de Basto, mas batendo-o na Torre, numa das temporadas de mais sucesso do seu vasto currículo: “Quintino foi um atleta muito promissor, com excelentes prestações, mas, infelizmente, não confirmou as expectativas. Também tem tido pouca sorte e alguns azares na carreira.”
A quinta etapa promete, assim, muita luta, na caminhada por montes desgastantes, sendo de destacar a contagem de três prémios de montanha de primeira categoria, um de segunda e outro de terceira.
Quintino "livre" no final da época
Quintino Rodrigues não tem tido a vida fácil na sua já longa carreira, mas é um corredor que ainda está longe de arrumar a bicicleta. Sente-se tranquilo na equipa da CCC Polsat, com quem termina contrato no final da época: “A minha aposta foi positiva, pois competem muito mais em provas internacionais do que as turmas portuguesas. Termino contrato no final da temporada, mas já manifestaram o desejo de renovar o vínculo, pelo que estou à vontade em termos de contrato. No entanto, caso apareça uma boa proposta, posso mudar de equipa. A Volta à Polónia (Setembro) será o próximo objectivo.”
Joaquim Gomes à espera da CML
Joaquim Gomes é considerado um dos melhores trepadores portugueses e já deixou grandes recordações no ciclismo nacional, de que foi exemplo a conquista da Volta a Portugal por duas vezes (1989 e 1993). Por isso, esta pode ser a sua despedida, para abraçar outros projectos: “Por tudo aquilo que fiz, posso retirar-me de consciência tranquila como ciclista, mas gostava de continuar ligado à modalidade e ser director desportivo do LCC. Ainda não concretizei o projecto, talvez devido à minha pouca experiência de dirigente. Para já, estou dependente e à espera dos apoios, nomeadamente da Câmara Municipal de Lisboa.”