João Almeida na Polónia e com a cabeça na Vuelta: «Ainda quero ganhar esta época»
Português garante estar a 100 por cento depois de meses complicados devido a doença
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Bastou ver João Almeida para se perceber que algo mudou nos últimos meses. De olhos postos na Vuelta, o português da UAE Emirates estreia-se esta 2.ª feira na Volta a Polónia e garante estar a 100 por cento depois de meses muito complicados devido a um vírus que o afetou.
"Sinto-me bastante bem, numa forma muito boa. Esforcei-me muito nestes meses e acho que estou a 100 por cento. Ainda quero ganhar este ano, é aí que a minha cabeça está. Tenho tido bons indicativos e sensação por isso estou confiante", sublinhou, numa videoconferência a partir de Gdansk, o luso de 27 anos.
Posto isto, o nosso jornal questionou-o diretamente se, hoje, se vê com capacidade para ganhar a Volta a Espanha. "Sim, a resposta é sim. Mas agora estou focado na Polónia, vai ser um bom contacto com o pelotão, num país que gosto, numa corrida que já ganhei... Há etapas duras, um contrarrelógio - vai ser bom voltar a competir na bike de crono, tenho trabalhado muito nele. No fundo, estou muito contente por estar de volta", referiu, sabendo que há uma Vuelta com e sem Tadej Pogacar.
"Com ele, a probabilidade de eu ganhar é quase 0, sem ele sobe drasticamente. Mas será sempre uma corrida muito boa, dá para desfrutar de ambas as maneiras e, mesmo com ele, posso apontar aos lugares cimeiros."
Depois de confirmar que os problemas físicos o impediriam de correr o Giro de Itália, o objetivo de regresso passou a ser o Tour Auvergne Rhône Alpes (antigo Dauphinè), em junho. "Sinceramente... não queria muito lá ter ido, mas tinha a corrida no programa. Sabia que não estava em forma, mas dei o meu melhor. Desisti [na 7.ª etapa] porque porque chegou a um ponto em que eu já não estava lá a fazer nada e a equipa sugeriu que eu fosse para casa", recorda.
Almeida chegava a descolar logo nas primeiras dificuldades... "No 'grupetto', em jeito de brincadeira, outros corredores diziam que me estava a habituar mal, que ali não era o meu lugar e que, depois de experimentar o 'grupetto', não iria querer outra coisa. Mas eu sabia que não estava em forma. Entrei com a expectativa de não estar bem e foi isso que aconteceu. Acabei por não sair desapontado."
O Tour e a Volta a Portugal
Presente nas conquistas de Tadej Pogacar nas Voltas a França de 2024 e 2025 (nesta caiu e abandonou), desta vez João Almeida viu a corrida pela televisão.
"Foi um bom Tour. Como equipa estivemos muito bem, mesmo com alguns percalços e doenças. Acompanhei bastante e tive pena pelas quedas do [Jonas] Vingegaard e do [Florian] Lipowitz, acabaram por tirar um pouco da magia da terceira semana", destacou o corredor de 27 anos, cuja equipa vai marcar presença na Volta a Portugal, que arranca 4.ª feira.
"É bom para a corrida, porque aumenta a visibilidade, e para os nossos jovens da equipa de desenvolvimento. Corrida longa, etapas duras, clima duro... vai ser bom para a malta mais nova ter esse contacto", concluiu.