Joaquim Gomes: «Os maiores troféus são os meus amigos»

Joaquim Gomes: «Os maiores troféus são os meus amigos»
Joaquim Gomes: «Os maiores troféus são os meus amigos» • Foto: Paulo César
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Joaquim Gomes não conseguiu conter lágrimas de emoção, quando, ontem, foi homenageado em Sintra, no final da 64ª Volta a Portugal. No momento de subir ao palco, o ciclista, de 37 anos, foi mais uma vez acarinhado por muitos populares, que não paravam de gritar o seu nome, à semelhança daquilo que aconteceu por todo o País, na despedida de uma carreira brilhante, onde se podem contabilizar 18 participações na Volta, com dois triunfos.

"Os maiores troféus são os meus amigos. Foram eles que escreveram o meu nome pelas estradas e me incentivaram sempre para continuar a correr. Tudo leva a crer que vou continuar ligado à modalidade como director desportivo do Lisboa Clube de Ciclismo, pelo que a dor, agora sentida, será minimizada", considerou o ciclista do Boavista, que conseguiu um honroso 17º lugar no contra-relógio (a 2.13 m de Moller) e o 11º posto na geral (a 6.32).

"Sem rancores de ninguém", Gomes pediu desculpa por nem sempre corresponder às expectativas dos aficcionados, mas não deixou de vincar que disse um adeus de "cabeça erguida" e orgulhoso da sua carreira: "Todos os estrangeiros do pelotão ficam admirados por o meu nome ser tão popular em Portugal. Mas tudo tem um preço elevado. Foram muitos anos de sacrifício e de luta para atingir determinados objectivos. Cheguei a pensar em abandonar aos 29/30 anos, mas ainda tive forças para continuar, e arranjar apoios para a modalidade". O ciclista, nostálgico, recordou Sintra como uma região especial: "Foi aqui que me formei como amador. Muitas destas pessoas, provavelmente, viram-me a subir e a descer esta serra. Muito obrigado a todos."

Aposta na formação

Joaquim Gomes foi um dos ciclistas mais empenhados em defender o respeito pelos jovens, na altura em que abraçou a modalidade como profissional. A sua aposta vai manter-se com a criação do LCC: "Vamos formar uma equipa profissional, aproveitando os jovens valores, com o objectivo de contribuir para a sua formação. Naturalmente, não poderemos descurar os objectivos desportivos. Face ao actual contexto do mercado, teremos de contratar alguns estrangeiros."

Um grande ciclista

O director desportivo do Carvalhelhos/Boavista, José Santos, elogiou Joaquim Gomes, por tudo aquilo que o ciclista representa de positivo para o desporto nacional: "Esteve três anos numa equipa prestigiada e acabou a carreira com a dignidade que merecia. Foi um grande ciclista, à semelhança do Vítor Gamito e do Orlando Rodrigues, pelo impacto que a sua imagem provoca no público e pelo seu carisma. Foi muito importante para a modalidade."

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