José Azevedo cai de pé no «muro» del Acebo na Volta às Astúrias
NUNO POMBO enviado especial
Santuário del Acebo - José Azevedo voltou sábado a passear a sua classe na Volta às Astúrias. O português, apesar de ter perdido a liderança para o espanhol Joseba Beloki (segundo classificado na última edição da Volta à Romandia), demonstrou uma enorme coragem, fibra e inteligência na escalada ao Alto del Acebo, uma contagem para o prémio da montanha de primeira categoria coincidente com a meta da quinta etapa. O vila-condense, atacado durante a ascensão por todos os tubarões presentes na competição, cruzou a linha de chegada na sétima posição, tendo caído para o quarto lugar na geral individual. Notável!!! O Maia/MSS foi segundo colectivamente e ocupa idêntica posição na geral por equipas. Por outro lado, Andrei Zintchenko vestiu a camisola da montanha, sucedendo ao colega Pedro Lopes, o qual desistiu a seguir ao abastecimento.
O chefe-de-fila do Maia sabia que ia ser muito difícil preservar a liderança, pois a Volta às Astúrias está recheada de vedetas e a jornada de sábado era para homens de barba rija. Como já se esperava, a etapa-rainha da prova decidiu-se na escalada ao Alto del Acebo, um impressionante muro de nove quilómetros com um desnível médio superior a oito por cento! O líder dos maiatos chegou bem colocado ao sopé da montanha, mercê do extraordinário trabalho efectuado anteriormente pelos colegas, que o rebocaram nas outras quatro montanhas da jornada, uma das quais de categoria especial - o Alto de Somiedo. Assim que a estrada empinou começaram os ataques ao camisola-amarela. Gustavo Otero foi o primeiro a sair, conquistando alguns metros de vantagem. Como o pelotão ainda era composto por cerca de 30 unidades, José Azevedo, imprimindo um ritmo poderoso, assumiu durante algum tempo as despesas da subida. O objectivo era provocar uma primeira selecção de valores, por forma a garantir um lugar no "top 10". E foi isso que sucedeu. Com ele seguiram somente os craques. As investidas não pararam de ocorrer. Iñigo Chaurreau, Nicola Miceli e Robero Heras juntaram-se a Otero. José Azevedo seguia a 21 segundos, ao lado, entre outros, de Jose Maria Jimenez. No grupo vinham também Joaquim Gomes e Claus Moller. Os superfavoritos decidiram então entrar em acção. Igor G. Galdeano e Joseba Beloki juntaram-se a Heras e Miceli. José Azevedo, que passou por um mau momento (5 km da meta), recebeu uma ajuda de Joaquim Gomes. Posteriormente, o vila-condense recuperou e tentou encurtar (ou pelo menos manter) a desvantagem, colocando-se na liderança de um pequeno grupo. Sem nunca esmorecer, o português impôs uma pedalada constante (não entrou em loucuras para não deitar tudo a perder) e, no final (tal como se previa), foi incapaz de preservar a amarela. Mesmo assim, tornou a superar alguns dos favoritos: Escartin, Garmendia, Virenque, Jimenez e Olano. Em suma, cumpriu o objectivo (ficar no "top 10") e caiu de pé!
AZEVEDO: "CUMPRI!"
O líder dos maiatos era um homem satisfeito no final da etapa. "Senti algumas dificuldades no início da escalada. A seis quilómetros da meta decidi seguir no meu 'passo'. Preferi manter um ritmo certo, pois a escalada era muito grande e eu vinha em dificuldades. Pouco depois recuperei (nos últimos quatro quilómetros) e acabei por terminar num bom lugar", explicou José Azevedo, acrescentando: "Era difícil responder aos sucessivos ataques. Não consegui acompanhar o ritmo dos mais fortes. Porque é que ataquei? Para seleccionar o grupo, pois queria acabar entre os primeiros." O facto de ter caído para o sétimo posto na geral não constituiu um desapontamento para o lusitano. "Não saio daqui frustrado. Pelo contrário, saio muito satisfeito. Defendi a amarela o melhor que pude", concluiu.
À BEIRA DA META
Andrei Zintchenko: "Não fugi apenas para vestir a camisola da montanha. Tentei também ganhar a tirada e galgar algumas posições na geral individual. Pelo menos consegui arrebatar a camisola azul."
Claus Moller: "Fui incapaz de ajudar o José Azevedo no Alto del Acebo. Tentei várias vezes, mas nem sequer logrei ultrapassá-lo."
Gustavo Otero: "Sabia que era muito difícil chegar isolado à meta. Ataquei para começar a subida um pouco destacado, pois não podia tentar seguir na roda dos favoritos. A Porta da Ravessa termina a corrida de consciência tranquila."
Igor G. Galdeano: "O Joseba Beloki encontra-se numa forma impressionante. Fui incapaz de seguir na sua roda."
Joaquim Gomes: "A subida ao Alto del Acebo foi de loucos. Entrei mal colocado, mas recuperei terreno paulatinamente. A certa altura deparei com o José Azevedo, o qual estava bastante desamparado. Como nada tinha a perder tentei ajudá-lo a efectuar um bom lugar. Era difícil pedir mais ao José Azevedo. Ele demonstrou que é o melhor ciclista português da actualidade."
Joseba Beloki: "Alcancei o objectivo. Hoje andei como nunca. O resultado obtido na etapa inicial não me deixou optimista, mas a partir daí melhorei muito fisicamente."
Manuel Zeferino: "A equipa trabalhou espectacularmente e dignificou o ciclismo português. Não ganhámos, mas realizámos uma brilhante exibição. O José Azevedo fez o que estava ao seu alcance. Saímos das Astúrias com a cabeça bem erguida."
ETAPA DE DOMINGO
Cumpre-se domingo a sexta e última etapa da Volta às Astúrias, que liga Cangas de Narcea a Oviedo (160 km). A jornada tem quatro contagens para o prémio da montanha: duas de segunda categoria e outras tantas de terceira.
É pouco previsível que Joseba Beloki perca a camisola amarela. Não é de espantar que a tirada seja resolvida ao "sprint" ou numa fuga.