Nelson Oliveira otimista para Mundial de estrada: «Temos equipa para aspirar pelo menos um top 10»
Veterano ciclista prevê um bom Campeonato do Mundo de estrada para Portugal
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A experiência ajuda Nelson Oliveira a enfrentar com tranquilidade mais um Campeonato do Mundo de estrada, com o veterano ciclista a prever que Portugal pode conseguir um top 10 na prova de fundo de elites em Montreal.
De regresso aos Mundiais, depois de no ano passado ter interrompido uma série de 12 presenças consecutivas em elites devido a lesão, o bairradino de 37 anos assume à Lusa que a sua veterania não lhe confere mais responsabilidade.
"Até pelo contrário. A experiência também te ajuda. Há sempre responsabilidade, mas sabemos que tudo vai correr bem e daremos sempre o nosso melhor por Portugal", explicou.
Figura incontornável no ciclismo português, ou não fosse o recordista nacional de participações em grandes Voltas - é também o primeiro corredor da história a completar 24 'grandes' consecutivas sem abandonos -, o ciclista luso com mais presenças olímpicas (quatro) escusou-se a fazer prognósticos para o 'crono' agendado para domingo, primeiro dia dos Mundiais.
"No 'crono', tanto eu como o Ivo [Oliveira] vamos dar o nosso melhor. Eu vou correr contra o tempo. Tudo depende se no dia nos sentimos bem ou mal. Há muitos fatores que podem tornar a corrida diferente. É óbvio que é um percurso bastante plano, técnico, com muitas curvas", detalhou à Lusa.
Embora ainda não tenha podido pedalar na totalidade dos 39,2 quilómetros do percurso do 'crono', o que acontecerá apenas no sábado - "aí sim vou realmente saber o que me espera" -, o ciclista da Movistar admite que o traçado pode "favorecer os corredores mais possantes", como Remco Evenepoel, o tricampeão mundial em título.
"O único que lhe pode fazer frente será, parece-me a mim, o Filippo Ganna", previu, preferindo, contudo, esperar para ver se o belga tem um dia mau
Acho que temos uma boa equipa para tentar aspirar a, pelo menos, um top 10. Acho que esse será o ponto-chave da nossa corrida. Quanto a mim, vou tentar ajudar os colegas no que for preciso e, quiçá, também fazer parte da estratégia.
Nelson Oliveira
Ciclista
Sobre as perspetivas de Portugal para este exercício, lembra que Ivo Oliveira "tem um ritmo competitivo elevado", por vir da Volta a Espanha, e diz sentir-se "bem".
"Quanto à prova de estrada, temos uma boa equipa. Temos tanto o [Afonso] Eulálio, que mostrou aqui em Quebec e Montreal que está numa excelente forma, o João [Almeida], que também vem de uma Volta a Espanha que terminou bastante bem", destacou.
Nono no ano passado nos difíceis Mundiais de Kigali, o melhor jovem do Giro2026 desponta numa seleção que inclui ainda António Morgado e Tiago Antunes, duplamente medalhado nos Jogos do Mediterrâneo Taranto2026, além dos dois Oliveiras e de Almeida, o melhor voltista nacional da atualidade.
"Acho que temos uma boa equipa para tentar aspirar a, pelo menos, um top 10. Acho que esse será o ponto-chave da nossa corrida. Quanto a mim, vou tentar ajudar os colegas no que for preciso e, quiçá, também fazer parte da estratégia", anteviu.
A prova masculina de fundo de elites vai encerrar os Mundiais em 27 de setembro, com os ciclistas a percorrerem 273,7 quilómetros, com um desnível acumulado de 3.803 metros.
"A corrida vai ser muito mais aberta, porque há menos equipas que podem controlar. Não vai ser fácil. A ambição é grande e esperemos que corra tudo bem. Sem azares, podemos fazer um bom Mundial", reiterou.
Não estando o Pogacar, haverá bastante mais oportunidades para alguns poderem ser campeões do mundo, como o [mexicano Isaac] del Toro, que vai ter de jogar muito bem, porque não tem seleção para controlar.
Nelson Oliveira
Ciclista
A ausência do bicampeão em título, o 'estratosférico' Tadej Pogacar, a recuperar da grave queda que sofreu na Volta a Espanha, aumentou o lote de candidatos, na opinião de Oliveira.
"Não estando o Pogacar, haverá bastante mais oportunidades para alguns poderem ser campeões do mundo, como o [mexicano Isaac] del Toro, que vai ter de jogar muito bem, porque não tem seleção para controlar", analisou.
Além do terceiro classificado do Tour2026 e vencedor de inúmeras provas esta época, nomeadamente o Grande Prémio de Montreal, o 'capitão' português aponta ainda Evenepoel, o britânico Thomas Pidcock ou o jovem francês Paul Seixas, não excluindo a existência de surpresas.
"Há seleções que também podem jogar outras cartas e será fundamental a estratégia da equipa", concluiu.