«O pescoço de Armstrong ficou vermelho como um tomate e ele disse-me o que precisava»

Fisioterapeuta Richard Huélamo recordou momentos passados com o ciclista, com quem "não era fácil de lidar"

• Foto: Reuters

Vencedor de sete edições seguidas da Volta a França, entre 1999 e 2005, Lance Armstrong tem estado recentemente em alta nos media muito por culpa da série documental 'Lance', sobre a vida e carreira do ciclista americano.

Esta quarta-feira, Richard Huélamo, fisioterapeuta e assistente de Lance Armstrong recordou alguns dos momentos do ciclista ao longo da sua carreira, que acabou por ficar manchada pelo alegado uso de doping.

Apesar de ser uma pessoa "difícil de lidar", que "não confiava em ninguém", Richard sublinhou o aspeto competitivo e solidário do francês, que sempre ajudou pessoas que precisavam.

"Lance era uma pessoa complicada. Como desportista, era muito metódico e uma máquina a treinar, mas pessoalmente não era fácil de lidar. Não confiava em ninguém", começou por revelar o antigo assistente, em declarações exclusivas ao 'Mundo Deportivo', recordando ainda o dia em que conheceu o ciclista: "Chegou num jate privado desde a Suíça, de onde esperou ainda por um BMW. Apresentaram-mo e ficamos logo amigos."

Profissionalmente, Richard Huélamo diz que Lance Armstrong era como ninguém. "Era uma máquina a treinar. Se nós fazíamos duas subidas a La Molina, ele fazia quatro e era-lhe igual caso chovesse ou não. Nunca estava satisfeito. Conheci mais de 400 ciclistas ao longo de toda a minha vida, mas nenhum é como ele", apontou.

Vida pessoal muito reservada

"Gostava de estar em casa, ficava em sítios onde não o reconhecessem facilmente. Não falava muito. Era uma pessoa complicada. Não confiava em ninguém, era uma pessoa que agia sempre pela defensiva."

Solidário para com quem mais necessitava

"Era solidário, ajudou economicamente muitas pessoas. Teve o que teve - cancro nos testículos -, mas ganhou sete Tours. Diziam que tinham sido devido ao doping. Não foi ele quem fez muito ou muito menos, naquela altura o doping era um bar aberto."

Polémica em torno das fisioterapeutas e massagistas irlandesas

"Quiseram ficar famosas por contarem mentiras a troco de dinheiro. Disseram que Lance tinha em sua casa um sistema completo de dopagem, algo impossível. Nunca deu positivo. Precisaria de uma logística muito boa e não a tinha. Qualquer um que quisesse fazer doping precisava de médicos, uma máquina, sangue e alguém para canalizar tudo."

Sucesso sem o doping? "Difícil de avaliar"

"É difícil avaliar se ele realmente teria ganho tanto sem o doping, mas posso assegurar que ele controlava tudo. Um dia, foi atingido por uma urtiga. O pescoço dele ficou vermelho como um tomate. Eu disse-lhe aquilo que ele precisava de fazer para curar e ele disse-me que era doping", concluiu.

Por Sérgio Magalhães
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