Torstein Traeen superou um cancro e lidera agora o Tour: «É muito difícil para mim perceber quão grande isto é»
Norueguês já tinha liderado a Vuelta em 2025
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Torstein Traeen (Uno-X) superou um cancro e é agora o líder da Volta a França, após integrar a numerosa fuga do dia na quarta etapa, em que o ciclista dinamarquês Mads Pedersen (Lidl-Trek) regressou às vitórias na prova.
A UAE Emirates tardou em deixar a fuga ganhar margem, mas quando o fez 'entregou' a liderança da geral ao norueguês, que superou um cancro testicular, detetado em 2022, e no ano passado envergou a camisola vermelha da Vuelta durante quatro dias, antes de ser destronado por Jonas Vingegaard, que tal como Tadej Pogacar e todos os candidatos ao triunfo final na 113.ª edição, cortou a meta a 12.59 minutos do vencedor.
"Penso que é muito difícil para mim perceber quão grande isto é", disse um comedido Torstein Traeen, que só quer desfrutar de estar de amarelo "na maior corrida do mundo".
Pela primeira vez na sua curta história, a Uno-X está a liderar a Volta a França, depois de o norueguês de 30 anos ter integrado uma fuga de 34 ciclistas nos 181,9 quilómetros entre Carcassonne e Foix, da qual saiu vitorioso Mads Pedersen.
"Isto foi uma obra de arte ao nível do trabalho de equipa", reconheceu o campeão mundial de fundo de 2019 e duas vezes vencedor da classificação por pontos na Vuelta (2022 e 2025) e uma no Giro (2025), referindo-se a Quinn Simmons, segundo na etapa, e Mathias Vacek, novo terceiro na geral.
A Lidl-Trek fez a 'dobradinha', já que o norte-americano superou o espanhol Raúl García Pierna (Movistar) na luta pelo terceiro lugar, com 10 ciclistas, incluindo Traeen, a cumprirem os ondulados 181,9 quilómetros entre Carcassonne e Foix em 04:10.45 horas.
Também nesse grupo chegaram Sean Quinn (EF Education-EasyPost), agora segundo da geral, a 28 segundos do corredor da Uno-X, e Vacek, que é terceiro, a 03.50 minutos.
Pogacar caiu para quarto, a 07.53 minutos do vencedor, a mesma diferença registada por Vingegaard (Visma-Lease a Bike), não sendo certo que os dois consigam roubar a amarela ao nono da Vuelta2025 na sexta etapa, a primeira de alta montanha -- na quarta-feira, a quinta tirada é dedicada aos sprinters, que terão uma oportunidade no final dos 158,3 quilómetros entre Lannemezan e Pau.
Numa etapa sem interesse para os candidatos à geral, uma multidão recebeu autorização para partir à aventura, com Nelson Oliveira (Movistar) a integrar o primeiro grupo de fugitivos, juntamente com o seu companheiro Pablo Castrillo, Pedersen e Vacek, Kévin Vauquelin (Netcompany INEOS), Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) ou Frank van den Broek (Picnic PostNL).
A estes juntar-se-iam, depois, mais 20 ciclistas, nomeadamente o segundo e terceiro da etapa, o novo camisola amarela e seu 'vice', além dos sprinters Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), Michael Matthews (Jayco AlUla) e Biniam Girmay, de Nico Denz e Jan Tratnik (Red Bull-BORA-hansgrohe), Ion Izagirre (Cofidis) ou Romain Grégoire (Groupama-FDJ).
Quando estavam decorridos meros 30 quilómetros, os 34 ciclistas tinham já uma vantagem de três minutos, que a autoritária UAE Emirates do então camisola amarela Pogacar não deixou aumentar até à aproximação ao Col de Coudons, a primeira de duas contagens de segunda categoria, onde se isolaram Vacek e Tratnik, aos quais se juntou Alex Kirsch (Cofidis), o pioneiro da fuga.
Coube ao veterano Oliveira, recordista nacional e ciclista com mais presenças em grandes Voltas neste Tour, assumir em vários momentos a perseguição ao trio da frente, numa altura em que o pelotão estava a mais de sete minutos -- o português concluiu a etapa integrado no pelotão e é 68.º da geral.
Na subida ao Col de Montségur, a frente da corrida voltou a mudar e 10 ciclistas destacaram-se para discutir entre si a etapa, com Pedersen, o mais rápido entre eles, a não dar hipótese, somando o terceiro triunfo no Tour, após os conquistados nas edições de 2022 e 2023.