Tricampeão António Morgado espera ganhar mais vezes: «Já são nove anos seguidos...»
Jovem de 22 anos dominador em todos os escalões
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António Morgado (UAE Emirates) revalidou hoje, na Guarda, o título de campeão nacional de contrarrelógio individual, que não lhe escapa desde 2024, admitindo que espera ganhar mais vezes.
"Este é o único contrarrelógio que treino, por se tratar do campeonato nacional. São nove anos seguidos a ganhar o campeonato nacional de crono [em diferentes escalões], ainda me faltam, espero eu, mais 13 anos de competição e espero ganhar mais algumas vezes", afirmou António Morgado em declarões à Lusa.
Aos 22 anos, o jovem ciclista da UAE Emirates alcançou o 'tri' ao cumprir os 27,6 quilómetros com início e final em Casal de Cinza, na Guarda, em 33.15 minutos, superando Rafael Reis (Anicolor-Campicarn) por um segundo.
"Comecei a corrida com o objetivo de ganhar, eu ou o Ivo [Oliveira]. É mais um título para a equipa. Este ano, as condições estavam boas, não estava muito calor, era um percurso normal de contrarrelógio. Tinha referências dos tempos que o Rafael estava a fazer, sabia que vinha a perder tempo, quase todo o 'crono'. Mas, nos últimos três quilómetros, fui na raça e tentei reverter os sete segundos que trazia de atraso e consegui", explicou.
O corredor natural de Salir do Porto, nas Caldas da Rainha, impôs-se ao melhor contrarrelogista a correr no pelotão nacional, novamente segundo, por um segundo, e ao seu companheiro de equipa Ivo Oliveira, que foi terceiro, a 20 segundos.
"Acho que fiz um bom 'crono'. Sabia que, pelo menos, o pódio era alcançável e tinha de o conseguir. Agora, tenho dois corredores mais fortes do que eu e não foi por muito, mas ainda há alguma distância. É dar-lhes parabéns e fico imensamente feliz por o título ter ficado na equipa", disse Ivo Oliveira, também à Lusa.
Afonso Eulálio focado na prova de fundo
Fora do pódio ficou Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), sexto classificado no Giro2026, que terminou no oitavo lugar, com o tempo de 35.07.
"Não trazia grandes expectativas. Depois do Giro, acabei por fazer uma recuperação um bocado grande. Corri na Volta à Suíça, mas sempre tranquilo, ao serviço dos meus líderes. A divertir-me um pouco nas fugas, como eu gosto, a atacar", admitiu o corredor da Figueira da Foz.
Eulálio disse ter alinhado no 'crono' "para treinar a 100%, sem grandes expectativas". "Dei o meu melhor, e o meu melhor nos contrarrelógios nunca é muito bom", reconheceu.
Para a prova de fundo, a disputar no domingo, também na Guarda, o melhor jovem do Giro2026 vai procurar "desfrutar" do apoio dos portugueses.
"Vou fazer a minha corrida e dar o meu melhor. Para vir aqui fazer alguma coisa especial, tinha de vir com um calendário um pouco diferente. Tendo acabado o Giro há menos de um mês e depois parado, nunca dá para fazer uma coisa muito bonita, uma coisa muito grande", admitiu.
Também António Morgado antevê "uma corrida muito difícil" nos 181 quilómetros da prova de fundo, sobretudo pela concorrência do pelotão nacional.
"Toda a gente vem com a mesma ideia, não sou só eu. É uma corrida muito difícil, uma das mais difíceis do calendário. Somos três [da UAE Emirates] contra equipas de oito e nove ciclistas, de muita qualidade, como deu para ver hoje", assumiu Morgado.
Mais otimista está o detentor do título nacional de fundo.
"O objetivo é ganhar a camisola nacional. Se puder ganhar mais uma vez, fico todo feliz, foi para isso que trabalhei, senão também tenho outros dois companheiros que podem ganhar. Somos os três [António Morgado e o irmão Rui Oliveira] bastante fortes e acho que um dos três podemos ganhar", rematou.
Os Nacionais de ciclismo de estrada decorrem na Guarda até domingo, dia em que vai ser disputada a prova de fundo de elites, a partir das 12:00.