Volta a Portugal: Duelo em família
A última etapa da edição deste ano da Volta a Portugal vai decidir quem é o vencedor da prova. E o exercício de luta contra o cronómetro, espécie de momento de solidão para os corredores, foi programado num percurso de 23,9 quilómetros entre Queluz e Sintra. Há três homens da Maia/Milaneza/MSS na discussão do triunfo. Atenção ao percurso, algo acidentado e técnico
Manuel Zeferino não quer ser "tendencioso". Por isso, o director desportivo da Maia/Milaneza/MSS recusa emitir qualquer opinião sobre qual dos pupilos terá mais hipóteses de vencer a 64ª Volta a Portugal em bicicleta.
Ocupando a invejável posição de saber que, independentemente de quem estiver melhor ou pior, a festa na Maia será inevitável (o boavisteiro Pedro Arreitunandia tem a tarefa quase impossível de superar três adversários sem ser um especialista em contra-relógio), o director desportivo sintetiza de forma fiel o que deverá suceder, hoje, nos 23,9 quilómetros a solo entre Queluz e Sintra: "Ao longo da Volta, dei oportunidades a todos os corredores. Agora, tudo vai decidir-se na prova da verdade. Cada um dará o melhor e uma coisa é certa: ganhe quem ganhar, será acarinhado por todos os companheiros em clima de festa. Espero que fiquem os três no pódio."
Ontem, Zeferino foi conhecer o percurso e hoje, pela manhã, fará o mesmo, mas na companhia dos corredores. Ao início da tarde, acompanhará, obviamente, a prova de Joan Horrach, não por qualquer preferência mas sim porque é normal, tendo em conta o estatuto de camisola amarela do espanhol. "Horrach tem vantagem, mas as diferenças são mínimas e Rui Sousa e Claus Moller são fortes no contra-relógio", limita-se a dizer o vencedor da Volta de 1981 em relação ao duelo em família.
Cada um por si
Ironicamente, a poderosa armada maiata, que desbaratou a concorrência ao longo da corrida interpretando estratégias colectivas perfeitas, vai encerrar a competição num registo individualista, como impõe o contra-relógio. Na luta interna, todos prometem dar o melhor, mas esquecendo os companheiros/adversários e garantindo que a alegria vai imperar qualquer que seja o resultado.
Quem é o favorito?
Horrach, Moller ou Sousa? Eis a grande questão para o dia final da Volta. O resultado de uma pequena "sondagem" realizada na partida para a 12ª etapa permite, pelo menos, concluir que o português Rui Sousa é considerado o menos candidato dos três homens da Maia.
Apesar de Joaquim Gomes salientar que o ex-Porta da Ravessa é "o que tem mais sangue na 'guelra'", nenhum dos 15 inquiridos defende a aposta de forma inequívoca e aqueles que o colocam na luta fazem-no mais por razões sentimentais, como é o caso de Nélson Vitorino. "Preferia que fosse o Rui. É português e um grande corredor", diz o homem do Cantanhede, considerando que "Horrach vai ganhar mas com muito pouca diferença".
A divisão de "votos" entre o espanhol e o dinamarquês (7/8) é, de resto, o indicador mais evidente do inquérito. Opinião curiosa tem o director desportivo da ibanesto.com, Jaimerena. "O Moller é o melhor. Mas não sei se merece, depois de tudo o que aconteceu até agora."
Arreitunandia tenta resistir
Para Pedro Arreitunandia, o principal desafio no último dia da Volta é manter a quarta posição (está a 1,03 m do líder) da geral. "É praticamente impossível chegar ao primeiro lugar, porque não sou um contra-relogista puro. Não acredito que consiga ganhar tempo a qualquer dos três homens da Maia, mas de qualquer das formas prometo andar a 'tope'", garante o corredor espanhol do Boavista. Sobre o favorito à vitória final, Arreitunandia afirma que "Horrach possui uma vantagem bastante significativa, mas Moller é de longe o melhor no contra-relógio. E há que contar também com o Rui Sousa, que tem feito uma grande Volta e é português..."