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Sessão marcada pelo depoimento do responsável pela operação que levou à constituição dos 26 arguidos no processo
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A nova sessão de julgamento realizada esta sexta-feira, no caso de tráfico de substâncias e métodos proibidos contra elementos ligados à extinta equipa de ciclismo da W52-FC Porto, ficou marcada pelo recuo de Nuno Ribeiro em querer falar no julgamento. O ex-diretor-desportivo não quis prestar declarações nas primeiras sessões, mas o seu advogado, em declarações à Lusa afirmou que, afinal, o seu cliente iria falar por existirem questões no processo que não foram referidas que deviam ser esclarecidas para "a descoberta da verdade". Porém, esta intenção não se confirmou e Nuno Ribeiro apenas assistiu à audiência na qualidade de arguido, mas sem prestar declarações.
Em termos de depoimentos, coube ao inspetor da Polícia Judiciária, que liderou a operação e que levou à constituição dos 26 arguidos no processo, apresentar-se como testemunha e explicar os procedimentos.
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"Nas interceções telefónicas, desde cedo percebi que as conversas entre Nuno Ribeiro e os atletas eram no sentido da ingestão de substâncias. Nuno Ribeiro não dizia o nome dessas substâncias, mas falava das datas das provas [ciclismo] e pedia para não esquecerem de tomar ‘aquilo’. Eram as substâncias, mas nunca mencionavam o nome", referiu o inspetor, mencionando ainda a existência de escutas entre Nuno Ribeiro e José Rodrigues, diretor-adjunto da ex-equipa de ciclismo W52-FC Porto, onde eram feitos os contactos para, posteriormente, efetuarem-se as encomendas das substâncias dopantes. A testemunha confirmou ainda terem sido encontrados vários sacos de sangue nas residências dos ciclistas e de Nuno Ribeiro, assim como diversas substâncias dopantes.
O arguido João Rodrigues, técnico farmacêutico, também prestou declarações, confirmando que conhecia José Rodrigues e que disponibilizava os medicamentos sem receita médica, embora com a condição de ser apresentada mais tarde, o que nunca aconteceu. "José Rodrigues disse-me que os medicamentos eram para ele próprio e que o médico lhe passaria depois as receitas. Não fazia ideia, nem sabia que esses medicamentos podiam ser usados para doping", justificou o farmacêutico.
A próxima sessão de julgamento ocorre no dia 15 de março, onde serão ouvidas várias testemunhas.
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