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O Giro de Itália abre oficialmente as hostilidades no que às três Grandes Voltas (GV) diz respeito. A par do Tour e da Vuelta, a prova italiana é umas das principais do calendário internacional e disputa com a competição espanhola o segundo posto do pódio.
Contudo, a Vuelta tem ganho notória visibilidade nos últimos anos, contrariando o domínio do Giro que durou desde a década de 70 até finais do século passado. Cada vez mais, entre os principais ciclistas do pelotão mundial, optam por correr apenas duas GV, com o Giro a ressentir-se, de certa forma, de tal fenómeno. Por isso, acaba por ser uma competição que funciona como preparação para a Volta a França, retirando algum protagonismo à prova.
1950, ano de mudança profunda
A primeira edição teve lugar há já 101 anos, com duas interrupções forçadas, ditadas pelas duas Grandes Guerras (1914-18 e 1939-45). Em 1909, o ano zero, Luigi Ganna tornava-se o primeiro vencedor, numa competição que apenas teve camisolas rosa provenientes de Itália durante largos anos. Com a abertura aos ciclistas estrangeiros que se verificou algumas décadas depois, o suiço Hugo Koblet entrou para a história como o primeiro não italiano a vencer. Contudo, nesta altura era o duelo entre Fausto Coppi, recordista de vitórias (5) a par de Alfredo Binda e Eddy Merckx, e Gino Bartali, vencedor por 3 vezes e antecessor daquele no pedestal do ciclismo italiano, que apaixonava a multidão que ia às estradas ver os seus ídolos.
Com a retirada destes corredores, o domínio dos homens da casa é substancialmente abalado. Apesar disso, o traçado da prova é ainda contestado com frequência por ser desenhado à medida dos atletas italianos que se encontram em melhor forma.
Camisola rosa
Ao contrário do que sucede no Tour, onde o líder enverga a camisola amarela, no Giro o corredor que segue na frente veste uma camisola rosa, a mesma cor do diário italiano "La Gazzeta Dello Sport", que patrocina a prova. Coppi, Binda e Merckx são os ciclistas que mais vezes a vestiram, sendo que os dois últimos foram os únicos que venceram por três vezes seguidas a competição.
Para além do "jersey" que destaca o homem da frente houve, na década de 40, uma camisola para o lanterna vermelha - o último ia de preto. E, por incrível que pareça, existiu um ciclista que se "especializou" nesta matéria. Luigi Malabrocca foi camisola negra em 1946 e em outras duas ocasiões ficou perto de conseguir novo feito.
A lista de vencedores, no que à nacionalidade diz respeito, é bastante heterogénea entre 1950 e 1996, ano que abre um "parcial" de conquistas que pertenceram aos da casa. Marco Pantani, Damiano Cunego, Gilberto Simoni (2) ou Ivan Basso (2) deram colorido azul, branco e vermelho à prova.
Alberto Contador, em 2008, interrompeu o ciclo vitorioso dos italianos na única vez que venceu a prova.