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O nome de Acácio da Silva é incontornável na história portuguesa do Giro de Itália. É certo que José Azevedo detém a melhor classificação final entre todos os ciclistas nacionais que participaram na prova (5.º lugar em 2001), mas Acácio conta com 5 vitórias em etapas e a honra de ter vestido a camisola rosa, símbolo de líder, durante 2 dias na edição de 1989.
A presença nacional no Giro não é particularmente significativa. Esta foi uma prova que raramente mereceu atenção especial por parte dos corredores portugueses. Os registos indicam que a estreia de ciclistas de Portugal aconteceu apenas em 1976. Na altura, Joaquim Agostinho e Fernando Mendes (ambos ao serviço da espanhola Teka) avançaram para a corrida transalpina, mas só Mendes (17.º) lograria terminar. Agostinho foi obrigado a abandonar.
Foi necessário esperar até 1982 para entrar em cena o ciclista português que melhor currículo viria a ter no Giro. Acácio da Silva estreou-se na prova em 1982 e não foi além de um discreto 78.º lugar. No ano seguinte, com a camisola da Eorotex/Mavic, o corredor nascido em Montalegre baixou o registo para 97.º. Depois de um 23.º lugar final em 1984, Acácio da Silva começou a mostrar serviço.
No 2.º ano com a camisola da Malvor Bottechia, o português foi 33.º, mas deu 2 vitórias à equipa. Na 8.ª etapa (Foggia-Matera) e na 10.ª (Crotone-Paola), Acácio foi o primeiro na meta. Prenúncio do que viria no ano seguinte, quando venceu outras 2 etapas (9.ª e 21.ª) e foi 7.º na geral final. Depois de interregno de 1 ano, o português voltaria em 1989, ano em que RECORD acompanhou o Giro com 2 enviados-especiais. Nem de propósito. Acácio vence a 2.ª etapa (Catânia-Monte Etna, na Sicília) e veste a camisola rosa de líder da prova. O comando da corrida ainda lhe pertenceu durante 2 dias. É certo que viria a terminar em 48.º, mas cumprindo a preceito os objetivos traçados pela equipa Carrera.
Só em 1993, ano da última participação de Acácio da Silva no Giro, é que o português teve compatriotas no pelotão - Américo Silva (116.º) e Orlando Rodrigues (abandono), ambos ao serviço da equipa Artiach. Em 1995, a única portuguesa alguma vez presente no Giro, a Sicasal-Acral, teve em Quintino Rodrigues (41.º) o melhor dos 3 ciclistas que conseguiram terminar.
A última participação de um português no Giro foi, curiosamente, aquela em que a classificação final teve maior significado. Em 2001, então ao serviço da Once, José Azevedo conseguiria brilhante 5.º lugar na geral. Azevedo esteve perto de ganhar uma etapa (foi 2.º na 18.ª tirada) e acabou por ficar próximo do pódio. De então até agora não mais houve portugueses à partida para uma das maiores provas de ciclismo do Mundo.
1976
17º Fernando Mendes (Teka)
Abandono: Joaquim Agostinho (Teka)
1982
78º Acácio da Silva (Royal-Wrangler)
1983
97º Acácio da Silva (Eorotex-Mavic)
1984
23º Acácio da Silva (Malvor-Bottechia)
1985
33º Acácio da Silva (Malvor-Bottechia)
* Somou 2 vitórias de etapas
1986
7º Acácio da Silva (Malvor-Bottechia)
* Somou 2 vitórias de etapas
1989
48º Acácio da Silva (Carrera)
* Somou 1 vitória de etapa (venceu uma etapa de montanha, no monte Etna) e vestiu a camisola rosa durante 2 dias
1990
49º Acácio da Silva (Carrera)
1991
57º Acácio da Silva (Festina-Lotus)
1992
46º Acácio da Silva (Festina-Lotus)
1993
73º Acácio da Silva (Festina-Lotus)
116º Américo Silva (Artiach)
Abandono: Orlando Rodriges (Artiach)
1995
41º Quintino Rodrigues (Sicasal-Acral)
83º Joaquim Gomes (Sicasal-Acral)
91º Serafim Vieira (Sicasal-Acral)
Abandonos: Manuel Abreu, Carlos Pinho e Pedro Silva (todos da Sicasal-Acral)
1996
78º Quintino Rodrigues (Kelme-Artiach)
1999
51º Orlando Rodrigues (Banesto)
2000
66º Orlando Rodrigues (Banesto)
89º Cândido Barbosa (Banesto)
2001
5º José Azevedo (Once)
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VITÓRIAS EM ETAPAS (5)
Acácio da Silva (Malvor-Bottechia)
1985 8.ª b Foggia - Matera 167 km
1985 10.ª Crotone - Paola 203 km
1986 9.ª Avezzano - Rieti 172 km
1986 21.ª Bassano del Grappa - Bolzano 234 km
Acácio da Silva (Carrera)
1989 2.ª Catania - Etna 132 km
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DESTAQUES
1976
Fernando Mendes, meritório 17.º lugar na Geral
1985
* Acácio da Silva, 2 vitórias de etapas:
. Foggia-Matera (8.ª etapa-b)
. Crotone-Paola (10.ª etapa)
Nota: Acácio da Silva foi o primeiro a passar nas montanhas de:
. San Eusebio (574m - 3.ª etapa)
. Costalunga (1.745m - 4.ª etapa)
. Monte Scuro (1.618m - 10.ª etapa)
. Forca d'Acero (1.535m - 14.ª etapa)
Acácio foi 4.º na Geral do Prémio da Montanha
1986
* Acácio da Silva, excelente 7º lugar na Geral e 2 vitórias de etapa:
. Avezzano-Rieti (9.ª etapa)
. Bassano del Grappa-Bolzano (21.ª etapa)
Nota: Acácio da Silva foi o primeiro a passar na montanha de:
. Gardena (2.121m - 21.ª etapa)
Nota: Acácio da Silva esteve excelente no Giro de 1986, almejando 2 vitórias de etapas e o 7.º lugar na Geral. Portugal descobria nesse ano um novo herói que, por força das circunstâncias, fez toda a sua carreira no estrangeiro, obtendo por isso variadíssimos lugares de destaque nas principais corridas europeias. Em 1989 tornar-se-ia o primeiro lusitano a vestir a maglia rosa no Giro, feito que conseguiria mais tarde no Tour.
1989
* Acácio da Silva, 1 vitória de etapa:
. Catania-Etna (2.ª etapa) etapa de montanha, no monte Etna
Acácio foi 2 dias camisola rosa do Giro
Nota: Acácio da Silva foi o primeiro a passar nas montanhas de:
. Etna (1.302m - 2.ª etapa)
. Cento Croci (1.059m - 20.ª etapa)
1991
Nota: Acácio da Silva foi o primeiro a passar nas montanhas de:
. Calvario (1.112m - 5.ª etapa)
. Colle Della Croce (1.163m - 5.ª etapa)
. Dell'Arone (509m - 7.ª etapa)
. Bocco (965m - 11.ª etapa)
. Camogli (254m - 11.ª etapa)
. Castello di Serie (657m - 19.ª etapa)
1992
Nota: Acácio da Silva foi o primeiro a passar na montanha de:
. Santo Pantaleone (1.645m - 18.ª etapa)
1995
* A Sicasal-Acral foi a única equipa portuguesa a participar na prova até hoje
2001
* José Azevedo, excelente 5º lugar na Geral
Nota: Azevedo foi segundo na 18.ª etapa. José Azevedo brilhou a grande altura no Giro de 2001, obtendo o 5.º lugar final, a melhor classificação portuguesa de sempre. No entanto, a sensação que ficou é de que poderia ter ido ainda mais longe, não fosse a circunstância de ter de trabalhar para Olano, factor que o impediu de chegar ao pódio.