Paulinho e Silvestre prontos para a estreia
O primeiro será um dos companheiros de Alberto Contador no ataque à camisola rosa
Depois de em 2014 Portugal ter tido apenas um ciclista no pelotão do Giro, este ano o número sobe para três. André Cardoso (Cannondale) repete a participação, naquela que é a sua segunda presença, enquanto Sérgio Paulinho (Tinkoff) e Fábio Silvestre (Trek) fazem a sua estreia. Uma estreia com objetivos bem definidos: ambos serão mais um na ajuda aos respetivos líderes, máxima que se aplica, de resto, também a André Cardoso.
Separados por 10 anos, Paulinho (35) e Silvestre (25) vão coincidir numa das grandes provas de três semanas do calendário mundial. Para o primeiro, a estreia no Giro surge já depois de uma longa carreira no World Tour – cumpre a 11.ª temporada –, e após seis presenças na Vuelta e sete no Tour. Experiência não lhe falta para ser um dos braços-direitos do chefe de fila, mas também um grande amigo, Alberto Contador. E não tem dúvidas de que o espanhol conseguirá concretizar o desafio que se propôs cumprir para 2015: vencer o Giro e o Tour: "Se há ciclista que pode fazê-lo, esse é o Alberto."
Paulinho conta como melhores registos nas grandes voltas um 16.º posto (2006) na Vuelta e um 35.º (2009) no Tour. Mas em ambas as corridas já inscreveu o nome na galeria dos vencedores de etapas, respetivamente em 2006 e 2010.
A altura certa
Para Fábio Silvestre a estreia no Giro marca também a primeira vez que se apresenta numa corrida de três semanas. O feito surge na quarta época no estrangeiro, a segunda no pelotão do World Tour. "Esta é a altura certa para disputar a minha primeira grande corrida. Tenho mais experiência e já estou mais bem adaptado ao World Tour", confessou o ciclista de Sobral de Monte Agraço, para quem "chegar ao fim já será uma vitória". Silvestre deixou o ciclismo português na transição para o profissionalismo. E, apesar de admitir que gostaria de regressar para disputar a Volta, espera que esse dia esteja ainda longe. "Estou em final de contrato, mas o meu objetivo é manter-me o mais possível no pelotão mundial."
Portugueses
Paulinho e Silvestre serão o 20.º e 21.º portugueses a participarem na Volta a Itália. O maior contingente nacional aconteceu há 20 anos, quando a Sicasal/Acral participou com seis ciclistas. É a única equipa portuguesa que já integrou o pelotão da corrida transalpina. Depois disso, quatro estiveram em 2013 e agora em 2015 três.
O melhor resultado na geral foi conseguido por José Azevedo (ONCE), quando em 2001 foi 5.º. Mas pertence a Acácio da Silva a honra de ter envergado o símbolo de liderança, a tão desejada camisola rosa. Fê-lo durante dois dias, em 1989.
O Giro de 2015 arranca sábado, na região de San Remo, para terminar no dia 21 em Milão. O percurso fica marcado pela existência de apenas um contrarrelógio individual, mas bastante extenso, 59 km.