Telefonema de António José Seguro 'escapou' a Afonso Eulálio: «Penso que devo estar a fazer algo bom...»
Presidente da República tentou contactar o ciclista português quando este chegou à liderança da Volta a Itália
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O português Afonso Eulálio recebeu tantas chamadas quando chegou à liderança da Volta a Itália que nem atendeu o Presidente da República, com o ciclista a confessar que estar em casa é, agora, o seu hobby favorito.
"O Presidente [António José Seguro] tentou ligar-me e deixou-me uma mensagem. Penso que devo estar a fazer algo bom. [...] Nestes dias, tenho tantas chamadas e mensagens que não atendi e, umas horas depois, recebi a mensagem", revelou numa conferência de imprensa em Lucca, no segundo dia de descanso da 109.ª edição da prova italiana.
Entre as chamadas que recebeu estava também a de Rui Costa, o ex-ciclista que foi campeão mundial de fundo em 2013 e que era o seu ídolo quando começou, ainda no BTT, vertente que experimentou com amigos, "depois da escola", e que trocou pela estrada em 2019.
Numa conferência de imprensa na qual falou sobre as suas expectativas para a Volta a Itália, "sem dúvidas" a prova mais dura que disputou, mas também das suas preferências clubísticas (é do Benfica), gastronómicas (risotto e barbecue) ou musicais (regaetón), Eulálio assumiu gostar da sua vida quando está em casa.
"Em dois meses, tenho três, quatro dias em casa. Quando vamos para casa, para nós é como estar de férias. Agora, ter tempo para estar em casa, é o meu hobby favorito", revelou.
Ainda sem conhecer muito bem os ciclistas do pelotão internacional, ao qual chegou apenas no ano passado, o figueirense de 24 aponta Nelson Oliveira (Movistar), o recordista nacional de presenças em grandes Voltas (23), como o seu favorito, mencionando ainda Damiano Caruso, o italiano que é a referência da sua Bahrain Victorious.
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Dizendo não acreditar em milagres - vestiu a maglia rosa a 13 de maio -, o jovem que lidera o Giro desde a quinta etapa afirmou nunca ter pensado que chegaria a liderar uma grande Volta.
"Não sonhava estar no WorldTour, menos ainda estar vestido de rosa", reforçou, numa conversa em que recordou a importância que a Volta a Portugal, que liderou durante vários dias em 2024, teve na sua carreira.
Eulálio mostrou-se ainda contente por ter "bastantes portugueses" a apoiá-lo, nomeadamente em Cacia, vila do distrito de Aveiro onde vive atualmente com a namorada e que está 'enfeitada' com fitas cor-de-rosa, e falou das 'agruras' de ser o líder do Giro.
"Quase todos os dias vou-me deitar às 23:30, meia noite, e no outro dia estou a pé às 07:00", contou, lamentando sobrar-lhe pouco tempo para pôr a conversa em dia com quem ficou em Portugal.
O figueirense vestiu a maglia rosa após a quinta etapa, na qual foi segundo após integrar a fuga do dia, e já é o segundo ciclista português que mais tempo passou na liderança do Giro, superando Acácio da Silva, que em 1989 foi primeiro durante dois dias, e estando atrás apenas de João Almeida, líder durante 15 dias na edição de 2020.
Na terça-feira, vai regressar à estrada para defender a liderança da Volta a Itália no contrarrelógio de 42 quilómetros entre Viareggio e Massa, para os quais parte com 02.24 minutos de vantagem sobre o grande favorito, o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).
O austríaco Felix Gall (Decathlon) fecha o pódio, a 02.59.