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A União Ciclista Internacional reconheceu hoje que os controlos antidopagem realizados durante a noite podem "perturbar o descanso e a recuperação" dos corredores, mas lembrou que estes são "uma medida excecional, reservada a circunstâncias limitadas e justificadas".
Após a polémica provocada pelos controlos realizados na madrugada de domingo pela Agência Internacional de Testes (ITA) ao líder do Tour, o esloveno Tadej Pogacar (UAE Emirates), e a Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), que viria a desistir devido a uma queda na etapa desse dia, a federação internacional reagiu reafirmando que "a luta contra a dopagem é uma prioridade absoluta".
"A UCI reconhece que os controlos efetuados durante a noite podem perturbar o descanso e a recuperação dos ciclistas, e reitera que o recurso a estes controlos fora do horário habitual [06:00-23:00] é uma medida excecional, reservada a circunstâncias limitadas e justificadas", vincou, em comunicado.
A polémica sobre o horário dos controlos a Pogacar, que recebeu a visita dos inspetores da ITA às 05:00 de domingo, e, sobretudo, de Vingegaard, o campeão em título do Giro e da Vuelta que foi controlado às 02:00 horas e acabou por desistir devido a uma queda na parte final da 15.ª etapa, tem sido alimentada por vários agentes da modalidade, entre corredores e comentadores, nos últimos dias.
"Mesmo que perfeitamente consciente do quão penalizadora esta medida é para os ciclistas, a UCI sublinha, no entanto, que estes controlos servem um interesse fundamental, o da luta antidopagem", defendeu.
A reação da UCI surge horas depois de a ITA ter informado que realizou controlos a todos os corredores presentes na 113.ª Volta a França na segunda-feira, durante o segundo dia de descanso da edição que termina no domingo, em Paris.
"Em 2021, a UCI confiou à ITA a gestão do seu programa antidopagem -- nomeadamente a planificação e a realização de controlos - para garantir a independência e maximizar a eficácia. Nesse sentido, apoia plenamente a utilização pela ITA de todos os meios à disposição para realizar da melhor maneira a sua missão", declara.
A federação lembra ainda que os controlos realizados têm de respeitar o Código da Agência Mundial Antidopagem, os regulamentos da UCI e a legislação de cada país, como aconteceu no caso de Pogacar, Vingegaard e outros ciclistas como Matej Mohoric (Bahrain Victorious), que implicou "a autorização por parte de um juiz".
"A UCI continuará a apoiar a ITA no exercício da sua missão, com pleno respeito pela sua independência, ao serviço de um ciclismo mais credível", termina o comunicado.
No início de fevereiro, a federação internacional delegou na ITA a prossecução dos processos de violação de normas antidopagem e de falhas de localização, com o objetivo de "reforçar a independência, credibilidade e robustez do seu programa antidoping".