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Há um outro herói

Lawson Craddock fraturou o ombro no 1.º dia, mas optou pelo mais difícil: chegar a Paris

• Foto: Reuters
Lawson Craddock não venceu qualquer etapa, muito menos andou com a camisola amarela. Antes pelo contrário. O norte-americano, de 26 anos, terminou no último lugar, em 145º, a mais de 4:30 horas de Geraint Thomas. Mais. Ocupou esta posição do primeiro ao último dia.

Mas por que é então uma das figuras do Tour de 2018? Principalmente pelo esforço e espírito de sacrífico que fez em continuar em prova e chegar ontem a Paris. Fraturou o ombro direito numa queda no primeiro dia e, pese embora as dores e o desconforto, fez questão de prosseguir, pois queria muito ajudar, dentro do possível, o líder da EF Education First-Drapac Cannondale, o colombiano Rigoberto Úran. Nem mesmo depois da desistência do 2º classificado de 2017, Lawson Craddock optou pelo mais fácil e que não surpreenderia ninguém, o abandono. Antes, decidiu-se pelo mais difícil, continuar. "Depois da primeira semana, vieram as montanhas. Fazer subidas de 20 km foi um sofrimento. Chegar ao fim todos os dias era um desafio", confessou o norte-americano.

Causa solidária

O ato heroico não se fica por aqui. O ciclista da EF Education First-Drapac Cannondale também protagonizou um gesto solidário. Aproveitando o desafio de tentar chegar ao fim a cada etapa, Lawson Craddock doava 100 dólares (85 euros) para ajudar na reconstrução do velódromo de Houston, cidade onde nasceu, que ficou bastante danificado com a passagem do furacão, em 2017, que provocou 31 mortos nesta região dos Estados Unidos.

O público haveria de ter conhecimento desta ação de solidariedade pelas redes sociais, acabando também por ajudar. Ao que parece, o valor angariado já ultrapassou o desejado (à volta de 85 mil euros), estando quase nos 170 mil.

Mas o norte-americano não foi o único a competir lesionado. O francês Guillaume Martin (Wanty) também fez mais de metade do Tour com fratura de uma costela. Não só chegou a Paris, como os fez em posição honrosa, 21º, e como terceiro melhor na classificação jovem.

Histórias destas provam que o Tour é muito mais do que aquele que veste a camisola amarela.
Por Ana Paula Marques
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