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28 julho 2014 - 01:51

Imperador Vincenzo

Quando há três semanas a cidade britânica de Leeds recebeu o início da 101.ª Volta a França...

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Quando há três semanas a cidade britânica de Leeds recebeu o início da 101.ª Volta a França, todos os olhares se centravam no duelo Froome-Contador. Quis o azar das quedas que os dois principais favoritos ficassem arredados logo muito cedo do triunfo, facto que em nada belisca a vitória categórica de Vincenzo Nibali, ontem coroado em Paris como o melhor entre os 164 homens que lograram terminar a prova.

Aos 29 anos, Nibali faz história ao tornar-se apenas no sexto ciclista a vencer as três grandes voltas. Antes dele, só “galáticos” como Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx e Bernard Hinaut o haviam conseguido. E fê-lo com verdadeiras demonstrações de força, a primeira ainda em Inglaterra, na chegada a Sheffield, onde arrebatou a camisola amarela, da qual apenas se separou durante a 10.ª etapa, para logo a recuperar com a vitória em La Planche des Belles Filles. “O Tubarão”, alcunha pela qual é conhecido o ciclista de Messina, voltou a “morder” na chegada à categoria especial de Chamrousse. No inferno do Hautacam, ninguém o conseguiu acompanhar, com Nibali a deixar o 2.º na etapa a mais de um minuto.No total, foram quatro vitórias em etapas, que não deixaram margem para dúvidas sobre quem era o ciclista mais forte.

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Suceder ao ídolo

Apesar de Itália ser uma das grandes nações do ciclismo, a verdade é que Nibali é apenas o sétimo transalpino a vencer o Tour. O último foi o seu grande ídolo, o malogrado Marco Pantani, campeão já há 16 anos, em 1998. Tal como o “Pirata”, Nibali arrasou quando o terreno inclinou mas, curiosamente, para o homem da Astana, o segredo da vitória foi outro. “A etapa dos pavés foi a mais importante para este triunfo”, disse após cortar a meta nos Campos Elísios. Foi nessa 5.ª tirada que Froome desistiu e Nibali não temeu o mau tempo e o terreno acidentado, ganhando minutos preciosos à concorrência.

Naturalmente feliz, o siciliano que deixou a casa aos 16 anos e mudou-se para a Toscânia para perseguir o sonho de ser profissional, guardou os primeiros beijos para a mulher Rachele e para a pequena Emma, a quem já tinha dedicado cada uma das quatro vitórias em etapas.

Invasão gaulesa ao pódio do Tour

A chegada a Paris veio confirmar um grande Tour para os franceses, que desde 1984 não colocavam dois homens no pódio. Jean-Christoph Péraud (AG2R) ainda caiu durante a etapa, mas conseguiu voltar ao pelotão, confirmando o 2.º lugar. No 3.º posto ficou o jovem Thibaut Pinot (FDJ), de 24 anos, a cara de uma geração que deixa os gauleses esperançados em voltar a vencer a sua prova, algo que não acontece desde 1985, quando ganhou Hinaut. Com Romain Bardet, de 23 anos, a entrar também no top 10, ouvir a Marselhesa nos Campos Elísios pode ser uma realidade em breve: “Eu e o Bardet temos mais 10 anos para correr, há tempo para vencer o Tour”, frisou Pinot.

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