Jasper Philipsen quebrou jejum: «Estava desiludido comigo, zangado por não conseguir ganhar...»

Sprinter belga duvidou, mas cumpriu a 'obrigação' de ganhar no Tour

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A festa de Philipsen
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A última etapa propícia para sprinters foi transformada numa clássica, com Jasper Philipsen a cumprir a sua obrigação anual de ganhar na Volta a França e a relançar-se na luta pela camisola verde.

O sprinter belga da Alpecin-Premier Tech sobreviveu "a uma montanha russa de emoções" neste Tour e, finalmente, à 17.ª etapa conquistou a sua 11.ª vitória na prova, em que ganha há cinco anos consecutivos, após integrar uma fuga de quase cinco dezenas de corredores, formada apenas quando estavam decorridos mais de metade dos 174,7 quilómetros entre Chambéry e Voiron.

"Não conseguia encontrar-me, nem ao feeling que esperava. Após 17 etapas, conseguir a vitória... Esta é para a equipa, que continuou a acreditar em mim. [...] Estava desiludido comigo, zangado por não conseguir ganhar e a equipa teve de lidar com isso", disse um emocionado Philipsen, agradecendo à Alpecin-Premier Tech por ter continuado a acreditar em si.

'Jasper Disaster' demonstrou um lado desconhecido dos adeptos, confessando, com lágrimas nos olhos, ter duvidado das suas capacidades antes de impor-se diante de dois ciclistas que já tinham vencido etapas neste Tour: o suíço Mauro Schmid (Jayco AlUla) e o neerlandês Olav Kooij (Decathlon).

Com as mesmas 3:41.13 horas do belga chegou o camisola verde Mads Pedersen, o ciclista responsável por levar Philipsen para a fuga e que descreveu a sua jornada com um palavrão, após ter visto a sua liderança na classificação por pontos encolher para sete.

Com a vitória final entregue, salvo azar, a Tadej Pogacar (UAE Emirates), que hoje chegou a 8.46 minutos e manteve as diferenças na geral, a luta pela camisola verde é um dos grandes motivos de interesse da 113.ª edição, com o vencedor desta classificação em 2023 a poder perfeitamente superar o dinamarquês da Lidl-Trek.

Na derradeira etapa desenhada para sprinters puros, o pelotão resolveu correr como se estivesse numa clássica, com a fuga a formar-se já bem depois de Lenny Martinez (Bahrain Victorious) e Thomas Pidcock (Pinarello Q36.5), respetivamente sétimo e oitavo da geral, terem caído.

No Col des Prés, de terceira categoria, Isaac del Toro (UAE Emirates), o terceiro da geral, ficou atrasado, com a Decathlon, a assumir a liderança do pelotão para promover virtualmente Paul Seixas ao pódio e à liderança da classificação da juventude, por troca com o mexicano, que chegou a estar a quase um minuto.

Inexplicavelmente, o grupo do camisola amarela, que tinha cinco elementos do top 6, decidiu parar e esperar pelo de Del Toro, em que também estavam os ciclistas que ocupam entre o sétimo e o 10.º lugar da geral.

Este compasso de espera permitiu, finalmente, que a fuga se formasse, sendo integrada por nomes como Mathieu Van der Poel (Alpecin-Premier Tech), Quinn Simmons (Lidl-Trek), Egan Bernal (Netcompany INEOS) ou Jai Hindley (Red Bull-BORA-Hansgrohe), o terceiro do Giro2026 e campeão da 'corsa rosa' em 2022.

A estes 16 corredores uniram-se, primeiro, Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) ou Ben Healy (EF Education-EasyPost), com Pedersen a fazer também a 'ponte' para a frente e a levar consigo Philipsen e Kooij.

A 17.ª etapa decorreu a um ritmo absolutamente frenético, com vários grupos, nos quais estavam Schmid ou o nono da geral Jordan Jegat (TotalEnergies) -- o francês diminuiu substancialmente a diferença para Pidcock --, a juntaram-se depois num único com quase 50 corredores.

Antes da fase decisiva da etapa, Pedersen foi primeiro no sprint intermédio e um doente Adam Yates (UAE Emirates) passou sérias dificuldades, vendo mesmo Pogacar abdicar de um escudeiro para ajudar o terceiro no Tour2023.

Stuyven foi quem mais tentou contrariar a previsível chegada massiva, isolando-se para ser apanhado já dentro dos quatro quilómetros finais.

'MVDP' lançou uma vez mais magistralmente o belga e, desta vez, o seu colega não falhou, podendo agora sonhar com a camisola verde.

"As próximas etapas são muito duras, mas vou continuar a lutar até Paris", prometeu, antecipando a tripla jornada de alta montanha que espera os ciclistas nos próximos dias e que começa na quinta-feira, nos 185,2 quilómetros entre Voiron e Orcières Merlette, de primeira categoria.

Pogacar parte para a 18.ª etapa com 04.32 minutos de vantagem sobre o seu 'vice', o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe), e 06.51 sobre o seu jovem colega mexicano.

Já Nélson Oliveira (Movistar) chegou no pelotão e é 76.º da geral, a mais de três horas do esloveno da UAE Emirates.

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