Nelson Oliveira fala num dos Tours mais duros: «Aguentei, porque não gosto de desistir»
Português da Movistar diz ter passado por muitos contratempos
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Nelson Oliveira concluiu este domingo uma das "mais duras" grandes Voltas em que participou, após ultrapassar todo o tipo de percalços numa Volta a França dececionante para a Movistar, prometendo regressar para "dar luta" no próximo ano.
"Esta, provavelmente, foi uma mais duras de todas em que participei. Não vou dizer que seja igual à primeira, mas esta foi especialmente difícil por todos os contratempos que tive", assumiu, em declarações à agência Lusa, o corredor de 33 anos, que completou a sua 16.ª grande Volta, ao cortar a meta, no final da 21.ª e última etapa da Volta a França, em Paris.
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Único ciclista português a concluir a 109.ª edição da maior prova velocipédica mundial, Nelson Oliveira viveu de tudo neste Tour: a incerteza de não poder alinhar, por ter tido covid-19 na semana anterior - "só no dia antes é que pude ir para Copenhaga" -, "uma conjuntivite no início", que o deixou com o olho permanentemente a chorar, e uma queda à oitava etapa, "com um impacto forte numa costela, que, provavelmente, terá uma fissura e até ao dia de hoje" ainda dói.
Apesar das dores permanentes, do desconforto no pedalar e do sofrimento diário, 'Nelsinho' nunca pensou desistir, mantendo assim imaculado o registo em grandes Voltas: terminou todas as que iniciou. "Aguentei, porque não gosto de desistir em qualquer que seja a prova. Se puder continuar, continuo, mesmo que esteja a sofrer, a não ser que não consiga mesmo. Aqui, fui conseguindo, e sabia que era um dever, porque realmente sentia que a equipa precisava de mim. E eu ia melhorando de dia para dia, não aquilo que eu esperava, mas fui melhorando. Infelizmente, não posso dizer que ia cómodo todos os dias", revelou à Lusa.
Trabalhador dedicado, o ciclista de Vilarinho do Bairro (Anadia) hesita ao ser questionado sobre se o seu sofrimento foi justificado, já que o líder da Movistar, o espanhol Enric Mas, acabou por desistir da Grande Boucle na sexta-feira, quando seguia em 11.º da geral, por estar infetado com o coronavírus. "Vale sempre a pena. Há momentos em que pensamos que não, mas naquela altura o mais sensato foi eu seguir. Este não foi o melhor Tour da equipa, longe disso. Infelizmente, depois tivemos o abandono do Enric... não sei se valeu... [hesita antes de corrigir]. Só por chegar a Paris, valeu", pontuou.
Ao contrário do que aconteceu em 2019 e 2020, quando subiu ao pódio final juntamente com os seus companheiros da Movistar para receber o prémio de 'Melhor Equipa', Oliveira vai assistir à festa nos Campos Elísios como espetador.
"Felizmente, já tive a oportunidade de subir ao pódio em Paris, o que não é fácil -- muito poucos corredores o fazem. Este ano, infelizmente, não será possível. Não foi o melhor Tour para mim. Todos os percalços que tive durante a prova não me ajudaram a cumprir os meus objetivos e, coletivamente, também não os cumprimos. Aspirávamos ao top 5 e não conseguimos. Depois era o top 10 e também não aconteceu, com a desistência do Enric. Também não conseguimos ganhar uma etapa... não foi um bom Tour", concedeu.
Após uma edição para esquecer a nível pessoal e coletivo, 'Nelsinho' defende que a Movistar tem de pensar "nos próximos objetivos e virar a página". "Espero cá estar para o ano. Eu antes de vir para aqui sentia-me bem, acreditava que ia fazer um bom Tour. Espero que para o ano não tenhamos azar, que tenhamos saúde. E cá estarei novamente a dar luta", prometeu.
Nelson Oliveira concluiu a 109.ª edição da Volta a França na 52.ª posição, a 2:57.39 horas do vencedor, o dinamarquês Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma).