O percurso do Tour'2023: análise etapa a etapa

Jornalista Pedro Filipe Pinto explica detalhadamente o que esperar

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Depois de no ano passado ter começado na Dinamarca, com três etapas naquele país nórdico, o Tour deste ano volta a iniciar-se fora de França. No caso em Espanha, um país que pela segunda vez na história irá receber o chamado 'Grand Départ' e que, tal como a Dinamarca, receberá três tiradas - duas delas de média montanha, logo para aquecer bem os motores.
Ao todo serão pouco mais de 3.400 quilómetros durante 3 semanas (21 dias), num programa que contempla somente um contrarrelógio, no arranque da terceira semana, após o segundo dia de descanso. A montanha será o prato principal deste Tour, com oito tiradas de alta montanha, seis com perfil ondulante e, em teoria, seis a convidar aos velocistas.
A análise, da autoria do especialista Pedro Filipe Pinto está nas linhas abaixo.
Etapa 1: Bilbau a Bilbau (182 km)
Este perfil define-se com apenas 4 letras: M, V, D e P. Mathieu van der Poel tem aqui uma oportunidade de ouro para voltar a vestir a camisola amarela, pois este quilómetro final a cerca de 6 por cento de inclinação, após uma parede de 2km a 10%, assenta-lhe na perfeição. Há outros nomes, sim, mas o do holandês não me saiu da cabeça, até porque esta subida não é dura o suficiente para Pogacar fazer a diferença, mas a penúltima é... Veremos se os homens fortes quererão mostrar-se logo no primeiro dia.
Aposta: Mathieu van der Poel (Alpecin)

Etapa 2: Vitoria-Gasteiz a San Sebastián (209 km)
De monstro em monstro se vai fazendo apostas... de Van der Poel passo para Wout van Aert e a explicação é bastante simples. A etapa é bastante acidentada de início a fim e o final não é duro como o do dia anterior, mas (e este é um grande ‘mas’), aquela segunda categoria colocada a 22 quilómetros da meta vai fazer diferenças. São 8,1km a 5,2% de inclinação e eu já estou a ver a Jumbo-Visma a aumentar muitíssimo o ritmo para deixar os homens rápidos para trás e depois Laporte a lançar Van Aert para a vitória. Novamente, quem estiver em forma não vai perder tempo, mas os favoritos ao top 10 terão de ter atenção redobrada, porque a velocidade vai ser bastante alta naquela subida a Jaizkibel.
Aposta: Wout van Aert (Jumbo)

Etapa 3: Amorebieta-Etxano a Bayonne (185 km)
E todos os sprinters dizem: "Finalmente!" Primeiro dia para uma chegada em pelotão compacto e há muitos nomes a ter em conta, sendo que os principais são Jasper Philipsen e Fabio Jakobsen, mas Cavendish, Groenewegen, Ewan, Pedersen, Girmay, Sagan e o próprio Van Aert também vão estar à espreita.
Aposta: Jasper Philipsen (Alpecin)

Etapa 4: Dax a Nogaro (182 km)
Nova etapa para ser discutida ao sprint. Eu acredito que Mark Cavendish vai bater o recorde, mas a verdade é que a concorrência é muita. Será mais fácil para ele fazê-lo numa fase mais inicial da prova, por causa dos 38 anos e do facto de ter feito um Giro completo.
Aposta: Mark Cavendish (Astana)

Etapa 5: Pau a Laruns (165 km)
Primeiro teste aos favoritos e, em especial a Pogacar e Vingegaard. Irá a Jumbo testar o pulso lesionado de Pogacar? Logo veremos, mas eu não acho que os principais galos se vão movimentar tão cedo e numa montanha cujo topo está ainda a 19 quilómetros da meta. Atenção é aos segundos de bonificação nos sprints, que esta temporada são ainda mais valiosos. Posto isto, vejo as segundas linhas das equipas a tentarem a sorte, Skejlmose, por exemplo. Contudo, acho que vai chegar um grupo algo numeroso à meta e teremos um sprint entre homens da montanha. O espírito de Pogacar poderá levá-lo a sprintar (e poderá muito bem vencer), mas a minha aposta é para uma vitória de Pello Bilbao dedicada a Gino Mader.
Aposta: Pello Bilbao (Bahrain)

Etapa 6: Tarbes a Cauterets/Cambasque (145 km)
As expectáveis poucas movimentações da etapa 5 devem-se ao monstrinho que os corredores têm pela frente no dia seguinte. O pelotão vai subir acima dos 2 mil metros de altitude pela primeira vez na prova e logo no mítico Tourmalet (17 km a 7,4%), para depois descer e atacar uma montanha final bem menos complicada. Mesmo assim, os principais nomes deverão testar-se e, se houver ataques, Vingegaard e Pogacar vão marcar-se homem a homem. As rampas finais são a parte mais dura da subida a Cauterets, mas, mesmo assim, os dois principais favoritos deverão discutir a etapa ao sprint.
Aposta: Tadej Pogacar (Emirates)

Etapa 7: Mont-de-Marsan a Bordéus (170 km)
Depois da tormenta das montanhas, os sprinters têm aqui oportunidade para brilharem novamente e Caleb Ewan, com uma equipa completamente focada em si, terá de mostrar resultados.
Aposta: Caleb Ewan (Lotto)

Etapa 8: Libourne a Limoges (201 km)
Depois de 13 quilómetros bastante simples, os últimos 70 vão parecer uma autêntica clássica. Por isso, teremos novamente Van der Poel na luta e no papel de principal favorito. Este também pode ser um bom dia para Biniam Girmay, mas a explosão do holandês será muito complicada de conter naquela rampa em Limoges que coincide com a meta.
Aposta: Mathieu van der Poel (Alpecin)

Etapa 9: Saint-Léonard-de-Noblat a Puy de Dôme (184 km)
Que dura é esta subida a Puy de Dôme! São 12,6 quilómetros a 7,8% de inclinação média, mas os últimos 4,5 km são a 11,5%! Perfeito para termos nova luta entre Pogacar e Vingegaard. É impossível dizer qual será o mais forte (apesar de eu achar que, se estiver a 100%, o esloveno é o mais forte), por isso aposto aqui em Vingegaard, com o campeão em título a tentar deixar uma mensagem antes do primeiro dia de descanso.
Aposta: Jonas Vingegaard (Jumbo)

Etapa 10: Vulcania a Issoire (167 km)
Aqui podemos e devemos ter o primeiro dia para a fuga. No total são 5 contagens de montanha, nenhuma delas muito dura, sendo que a última está ainda a 29 quilómetros da meta. A luta para estar na frente da vai ser feroz, porque o tiro de partida é dado e o pelotão começa logo a subir. Homens como Omar Fraile, Campenaerts, Stuyvven e Aranburu poderão tentar a sorte.
Aposta: Omar Fraile (Ineos)

Etapa 11: Clermont-Ferrand a Moulins (180 km)
Etapa um pouco acidentada, mas também para os sprinters. Jasper Philipsen e a sua equipa gostam destas tiradas que não são lineares. Irão trabalhar para tentar a vitória.
Aposta: Jasper Philipsen (Alpecin)

Etapa 12: Roanne a Belleville-en-Beaujolais (166 km)
Ora aqui está mais um dia perfeito para a fuga, até porque na etapa 13 existe chegada em alto bastante dura ao Grand Colimbier. Temos aqui uma tirada complicada de controlar devido a 63 quilómetros iniciais bastante acidentados, que antecedem três contagens de montanha. A última (a mais dura) está posicionada a cerca de 29 quilómetros da meta e são 5,4 km a 7,7 por cento de inclinação média. Os favoritos vão aproveitar para descansar e as equipas com menos expressão vão tentar a sorte.
Aposta: Soren Kragh Andersen (Alpecin)

Etapa 13: Châtillon-sur-Chalaronne a Grand Colombier (138 km)
Aqui não há nada que saber. Poucas dificuldades até à subida final ao Grand Colombier, que são só 17,8 quilómetros a 7,7% de inclinação média. A altitude não será um problema (1.495 metros), mas o ritmo que UAE ou Jumbo quiserem impor nas primeiras rampas será, até porque os 7 km iniciais fazem-se com média de 8,4%. As pendentes aligeiram um pouco nos 2 mil metros finais, mas aí o estrago já estará feito. Prevejo mais uma batalha entre os dois monstros, mas aqui poderá haver diferenças, também dependerá muito de como estará o bloco de cada equipa, sendo que, se todos estiverem em forma, vejo a UAE com mais armas para ajudar Pogacar.
Aposta: Tadej Pogacar (Emirates)

Etapa 14: Annemasse a Morzine (152 km)
Tanta montanha e… uma chegada a descer. Não gosto nada disto e passei a odiar após a Volta a Suíça. São 5 contagens de montanha, uma de terceira categoria, três de primeira e a última – o duríssimo Col de Joux Plane – de categoria especial. Os homens das fugas vão entrar ao trabalho novamente e está aqui uma excelente oportunidade para somar pontos para a classificação da montanha. Vejo Ruben Guerreiro e Rui Costa como nomes quase certos para estarem na frente da corrida e, se assim for, serão dos principais candidatos à vitória. A última dificuldade são 11,7 quilómetros com 8,5% de inclinação média, logo os favoritos também poderão mexer-se. Pogacar e Vingegaard são excelentes descedores, resta saber se vão querer arriscar.
Aposta: Rui Costa (Intermarché)

Etapa 15: Les Gets a Saint-Gervais-les-Bains (180 km)
Novo dia importante para a luta pela camisola das bolinhas e acredito que Pinot (que ganhou a classificação da montanha no Giro) poderá ser o principal interessado nela. Três primeiras categorias, uma terceira e uma segunda estão no menu e uma chegada em alto com duas subidas encadeadas. A fuga tem aqui nova oportunidade para vingar, mas nada será dado, até porque, antes do segundo dia de descanso, os favoritos à vitória final também poderão queimar umas energias extra que poderão recuperar na segunda feira.
Aposta: Thibaut Pinot (Groupama)

Etapa 16: Passy a Combloux (22 km - contrarrelógio individual)
É estranho o que vou dizer, mas, infelizmente, é a verdade: esta é a única chegada em alto da última semana da Volta a França e estamos a falar… de um contrarrelógio! Os favoritos vão discutir a vitória entre si, visto que há duas dificuldades neste percurso, com a principal ser a subida até Combloux, que tem 6,3 quilómetros a 6,6% de inclinação média. Deverá ser mais uma luta entre Pogacar e Vingegaard, mas as diferenças não serão muito significativas... só mesmo se alguém passar mal após o dia de descanso.
Aposta: Tadej Pogacar (Emirates)

Etapa 17: Saint-Gervais-les-Bains a Courchevel (166 km)
Depois de na temporada passada ter conquistado o Alp D’Huez, Thomas Pidcock pode ter aqui uma nova oportunidade para se mostrar a bom nível. Com duas contagens de primeira categoria e uma de segunda antes do ataque ao Col de la Loze (28,3 km a 6%), muitas vão ser as figuras a tentar estar na frente da corrida desta etapa duríssima. Não é chegada em alto, por isso para ganhar, há que ter coragem e destreza e isso não falta ao britânico. Na luta pela gral, esta é a etapa rainha e poderá haver reais diferenças, até porque o Col de la Loze chega aos 2300 metros de altitude. Uma barbaridade!
Aposta: Thomas Pidcock (Ineos)

Etapa 18: Moûtiers a Bourg-en-Bresse (186 km)
Depois de uma longa dieta de etapas de montanha, eis que chega um ‘cheat day’ para os sprinters. O desgaste será muito e veremos se todos os homens rápidos conseguem chegar aqui. É a oportunidade perfeita para algumas segundas linhas aproveitarem e Sam Weslford será um nome a ter em conta. Tem uma velocidade de ponta altíssima!
Aposta: Sam Weslford (DSM)

Etapa 19: Moirans-en-Montagne a Poligny (173 km)
Antes do último dia de montanha, uma etapa… manhosa. Tanto pode dar para uma fuga, devido ao início acidentado, como também pode dar para homens como Girmay, Mads Pedersen ou… Wout van Aert. Sobe e desce constante deste o tiro de partida e um final em ligeira subida. Só faltará saber quem quererá assumir a corrida.
Aposta: Wout van Aert (Jumbo)

Etapa 20: Belfort a Le Markstein (133 km)
A minha previsão é que, nesta última etapa de montanha, Pogacar chegará com a camisola amarela e a Jumbo vai tentar explodir com a corrida. Poderá atacar logo no Petit Ballon para tentar destronar o esloveno. Perante tanta dureza, acho que o pelotão vai partir-se cedo e a luta será entre os nomes principais, com Vingegaard a dar tudo para, pelo menos, se despedir com a vitória de etapa.
Aposta: Jonas Vingegaard (Jumbo)

Etapa 21: Saint-Quentin-en-Yvelines a Paris (115 km)
Aposta com o coração! Em dia de consagração do vencedor da Volta a França, quão especial seria ver Mark Cavendish ganhar nos Campos Elísios pela 3ª vez e selar o recorde de ciclista mais vitorioso do Tour. Seria incrível!
Aposta: Mark Cavendish (Astana)

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