Tadej Pogacar descobriu como é difícil ser gregário: «Fi-lo com prazer!»
Com o Tour no bolso, esloveno ajudou o colega Del Toro a segurar o pódio
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Tadej Pogacar percebeu hoje quão difícil é trabalhar para outros, deixando emocionado o colega Isaac del Toro, companheiro mexicano que subirá ao último degrau do pódio final do Tour.
"Talvez as pessoas falem de como eu ajudei o Isaac a chegar ao pódio, mas primeiro ele ajudou-me a chegar à amarela e a equipa ainda mais", destacou o esloveno da UAE Emirates na flash-interview.
O camisola amarela transformou-se em gregário de Del Toro no Galibier, a mais de 60 quilómetros da meta, e deixou uma imagem inédita em grandes Voltas ao puxar o grupo do top 5 da geral quase até ao final, esperando ainda pelo mexicano quando Remco Evenepoel (Red Bull), que será seu 'vice' em Paris, atacou.
"Hoje, foi uma honra correr para o Isaac durante as últimas duas horas ou hora e meia de corrida. Fi-lo com prazer e percebi quão difícil é trabalhar para outros. Estive muito bem neste Tour, a equipa também, mas também houve azares de adversários. Em três semanas, muita porcaria pode acontecer e conseguimos sobreviver", disse, aludindo às desistências, por queda, do seu arquirrival Jonas Vingegaard (Visma) e de Florian Lipowitz (Red Bull), que foi terceiro no ano passado.
Com apenas 89 quilómetros para percorrer no centro de Paris, após a última etapa ter sido encurtada pela mobilização dos meios de segurança para os incêndios que lavram no país, Pogacar não assume se irá tentar repetir o 'louco' ataque na subida a Montmartre.
"Não há o Wout [van Aert, que venceu a etapa em 2025] este ano, por isso é menos um grande adversário nos Campos Elísios. Não é um grande objetivo, mas se tiver boas pernas, posso tentar, sem correr riscos", concluiu.
Já depois de o seu líder falar, Isaac del Toro apareceu diante dos meios de comunicação e revelou-se "bastante emocionado" com o trabalho de gregário do camisola amarela.
"Foi algo nunca visto. Nunca senti tanta pressão na vida e gosto de pensar que a pressão é para pessoas privilegiadas. A equipa teve momentos difíceis na terceira semana, tentámos ocultá-los, para que não nos vissem débeis, mas não foi fácil terminar no pódio estando doente", confessou, admitindo pela primeira vez ter sido afetado pelo vírus que enfraqueceu a UAE.
O mexicano de 22 anos sabe bem o que é ver um lugar 'certo' escapar-lhe na penúltima etapa, depois de ter perdido a camisola rosa para Simon Yates, devido a um erro estratégico da equipa, na véspera do final do Giro2025.
"Estou muito feliz e agradecido pela oportunidade que me ofereceu a equipa e que o Tadej se tenha comprometido assim comigo", acrescentou o 'estreante', que vai também subir ao pódio como vencedor da classificação da juventude.
Quem já esteve no mesmo 'lugar' de Del Toro foi Evenepoel, terceiro e melhor jovem no Tour2024, que demonstrou na 113.ª Volta a França que, afinal, consegue subir com os melhores, tendo hoje sido segundo no Alpe d'Huez, a 26 segundos de Carapaz.
"Fiquei um pouco desapontado por não ter vencido a etapa, porque cheguei muito perto, mas é a minha mentalidade, de querer sempre mais. Fiz o que pude. Fiquei a 20 segundos da vitória na etapa, segundo lugar na geral, dois triunfos em etapas, alguns segundos e terceiros postos. Foi um ótimo Tour, estou muito feliz por mim e pela equipa", resumiu.
Campeão da Vuelta'2022, o belga era a grande incógnita desta 'Grande Boucle', da qual sai reforçado e mostrando que estava certo ao arriscar trocar a sua equipa de sempre, a Soudal Quick-Step, pela Red Bull-BORA-hansgrohe.
"Foi difícil alcançar este nível. Com paciência e trabalho árduo nos bastidores, finalmente consegui. Estou muito satisfeito com o resultado. Nem todos podem dizer que foram segundos no Tour, sobretudo nos últimos anos, em que só houve Pogacar e Vingegaard", vincou.
O duplo campeão olímpico, de 26 anos, será o primeiro belga desde Lucien van Impe, em 1981, a subir ao segundo degrau do pódio em Paris.
Quem falhou o top 3 foi Paul Seixas (Decathlon), o jovem de 19 anos que hoje quebrou e terá de se contentar com o quarto lugar na estreia. "As pernas não estavam suficientemente bem e a cabeça também não. Foi por isso que quebrei", justificou o francês, dizendo, contudo, estar "orgulhoso" do seu Tour.