Um gesto para a história: Carapaz ofereceu a vitória a Kwiatkowski na 18.ª etapa do Tour'2020

Polaco diz que decisão foi tomada durante a tirada, com o equatoriano a decidir dar-lhe o triunfo

• Foto: Reuters

Richard Carapaz mostrou esta quinta-feira uma generosidade que ficará na história da 107.ª Volta a França, abdicando da vitória na etapa, que procurou durante três dias, para premiar os sacrifícios de Michal Kwiatkowski em nome da INEOS.

"Decidimos entre nós, foi o Richard que me propôs", explicou o vencedor da 18.ª etapa, depois de cortar a meta, em La Roche-sur-Foron, abraçado ao seu companheiro de equipa.

Peça fundamental nos êxitos da INEOS (antiga Sky) na geral da Volta a França, primeiro no trabalho para Chris Froome (2017) e depois para Geraint Thomas (2018) e Egan Bernal (2019), o talentoso polaco, de 30 anos, nunca tinha ganhado qualquer etapa no Tour e, hoje, Carapaz decidiu 'agradecer-lhe' em nome de todos os colegas da formação britânica.

"Incrível. O ciclismo é um desporto de equipa e ganhar assim é muito especial. O Kwiatkowski sacrificou muitos triunfos individuais pela equipa e estou muito emocionado por ele", enalteceu o equatoriano na sua conta na rede social Twitter, antes de, numa outra publicação, escrever: "Grande Kwiatkowski. Nunca nos vamos esquecer deste momento tão especial. O sacrifício tem sempre a sua recompensa."

O gesto do vencedor do Giro'2019 tem ainda mais significado, uma vez que este foi o terceiro dia consecutivo em que andou em fuga, repetindo, devido à sua generosidade, o segundo lugar alcançado há dois dias, em Villards-de-Lans.

"Foi uma vitória espetacular. Desde o início que queríamos ganhar a etapa e somar pontos para a montanha. Foi um trabalho coletivo da equipa e decidimos em conjunto que ele ganhava a etapa e eu a montanha", explicou em declarações aos jornalistas o novo dono da camisola às bolas vermelhas.

Carapaz sai também da 18.ª etapa com uma nova imagem junto dos adeptos do ciclismo, já que no documentário 'El día menos pensado', em que revela os bastidores da temporada de 2019 da sua anterior equipa, a Movistar, é retratado como egoísta e individualista -- a saída do equatoriano para a INEOS esteve envolta em polémica, com a formação espanhola a acusá-lo de deslealdade.

"Ganhámos os dois", insistiu ainda Kwiatkowski, não esquecendo Nicolas Portal, o diretor desportivo que foi a pedra basilar do sucesso da Sky e que morreu em março, vítima de paragem cardíaca, na sua dedicatória.

"Muita gente questiona o que estamos a fazer no Tour, sem o Nico no carro. Faz-nos muita falta, é verdade. Lembramo-nos todos os dias dele, quer tenhamos sucesso, quer não. Certamente, ele iria gostar daquilo que fizemos hoje e o nosso estado de espírito neste Tour. Somos inspirados por ele", assumiu o polaco.

Michal Kwiatkowski deu hoje a primeira alegria à INEOS na 107.ª Volta a França, ao vencer a 18.ª etapa, a última de alta montanha, diante do seu companheiro Richard Carapaz.

Os dois corredores da equipa britânica, que na quarta-feira perdeu o campeão em título, Egan Bernal, cortaram a meta abraçados, sendo primeiro e segundo no final dos 175 quilómetros entre Méribel e La Roche-sur-Foron, com o tempo de 04:47.33 horas, enquanto o belga Wout van Aert (Jumbo-Visma) foi terceiro, a 01.51 minutos, dois segundos diante do camisola amarela.

O esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma) sai da última etapa de alta montanha desta edição com 57 segundos de vantagem para o seu compatriota Tadej Pogacar (UAE Emirates), segundo da geral, e 01.27 minutos para o colombiano Miguel Ángel López (Astana), terceiro.

Por Lusa

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