Candidatos portugueses insatisfeitos com ausência de um final na Torre

Consideram que opção beneficia os dois últimos vencedores da Volta a Portugal

Jóni Brandão
• Foto: João Fonseca
Os candidatos portugueses à Volta a Portugal mostraram-se descontentes com a supressão da chegada ao alto da Torre, esta quinta-feira anunciada, considerando que a opção beneficia os dois últimos vencedores, os galegos Gustavo Veloso e Alejandro Marque.

"A mim não me parece muito bem, até porque era uma das chegadas que os portugueses gostavam de ver e era uma chegada ao alto - e os espectadores gostam da emoção dessas chegadas. Tirar a Serra da Estrela não é favorável à Volta e a mim também não", reconheceu à agência Lusa Jóni Brandão (Efapel).

O jovem português, que no ano passado foi segundo na geral atrás do bicampeão Gustavo Veloso, acredita que, caso se confirme a existência de uma chegada ao alto [à Senhora da Graça, em Mondim de Basto], a prova 'rainha' do calendário nacional vai perder "muito espetáculo".

"Querem que ganhe um português a Volta, mas nestes moldes em que a Volta é desenhada dificilmente um português vai ganhar", defendeu o 'trepador' Brandão, assumindo que a corrida será decidida no contrarrelógio, a 'arma' do seu antigo companheiro Marque e do seu vizinho galego, e como tal o percurso ser-lhes-á mais favorável.

Também o veterano Rui Sousa (Rádio Popular-Boavista) não escondeu à Lusa o seu descontentamento.

"Fico muito insatisfeito com essa situação, atendendo que a Torre é, sem dúvida nenhuma, e etapa rainha e mítica da Volta a Portugal. Entendo que a Volta a Portugal sem essa etapa deixa de ter o carisma típico e tenho a sensação que nem é uma Volta a Portugal, aquela que todos gostam e aguardam", começou por dizer o português, que já esteve por cinco vezes no pódio da prova.

Embora admita que nos últimos anos os 'trepadores' portugueses não têm conseguido provocar uma reviravolta na geral na etapa 'rainha', o quinto classificado de 2015 considera que sem a meta no ponto mais alto de Portugal continental e na sua contagem de categoria especial a tarefa será ainda mais complicada para os ciclistas nacionais.

"Apesar de haver duas passagens no alto da Torre - não deixa de ser uma etapa super dura e complicada -, o facto de não haver uma chegada acaba por favorecer os ciclistas que andam melhor no contrarrelógio, nomeadamente o Gustavo. Já ele tem ganho sem essa chegada lá, assim ainda o favorece mais", concluiu.

João Benta, líder do Louletano-Hospital de Loulé, partilha a opinião de Rui Sousa, indicando que é óbvio que a opção da organização prejudica os portugueses.

"Os galegos neste momento nos contrarrelógios defendem-se muito bem e também não tem dado para fazer a diferença na montanha. Por aquilo que se sabe só haverá a chegada à Senhora da Graça, mas fala-se que será muito mais exigente, com a passagem no Viso. Vamos ver", disse à Lusa, indicando que a sua estratégia passará por aproveitar todas as oportunidades noutros tipos de terreno.

No entanto, ao contrário do que os trepadores portugueses vaticinaram, Alejandro Marque, vencedor da Volta em 2013 e terceiro no ano passado, também preferia chegar ao alto da Torre.

"Não sei se [a ausência] me favorecerá ou não. Eu quase preferia subi-la, porque, quer se queira quer não, faz uma limpeza grande e fica a classificação mais fechada. Penso que assim vai passar mais pessoal. Eu, particularmente, gostava mais que se subisse a Torre", confessou o ciclista da LA-Antarte.

Alex melhorou nas subidas e, por isso, não tem medo da Torre - "respeito sim". "Vai ser totalmente diferente a Volta. A senhora da Graça vai fazer algumas diferenças, mas não muitas e depois o contrarrelógio não sei se será seletivo ou se a rolar. Se for a rolar, favorece mais os trepadores, se o vento estiver de costas", analisou, admitindo que o 'crono' só o beneficiará se estiver na luta pela geral.
Por Lusa
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