Rui Panda: «Querem imagens em cima da prova»

É o motard mais antigo da volta

• Foto: Luís Vieira

Rui Panda é tão conhecido no pelotão nacional como são os ciclistas. Há quase 30 anos que o ex-piloto de todo-de-terreno faz a Volta a Portugal como motard, função que este ano, de forma particular, tem sido notícia no estrangeiro pelos piores motivos. Acidentes no pelotão, cujo mais grave resultou na morte do belga Antoine Demoitié, após ter sido atropelado por uma moto da organização na clássica Gent-Wevelgem. Mais recentemente, o choque de Richie Porte, Bauke Mollema e Chris Froome no Mont Ventoux, que resultou no britânico a fazer atletismo.

"A competição é dos ciclistas, não é dos carros, não é das motos, há que salvaguardar isso. Somos o segundo plano numa prova. Estamos aqui para cobrir o evento. Temos de fazer tudo para lhes dar espaço", começou por nos dizer Rui Panda, para quem a exigência de informar, de captar as melhores imagens, leva a que se arrisque cada vez mais. "Hoje, querem-se imagens mais em ‘cima’ do que se está a passar. Se não fosse isso, não teríamos, por exemplo, as imagens do acidente dos três na Volta a França a chocarem com a moto do direto. Tiveram não sei quantas visualizações e minutos de antena."

O mais antigo motard a Volta reconhece que é preciso medidas para que todos se sintam mais em segurança no pelotão. E passam, essencialmente, pela prática, que é a melhor escola. "Poderão perguntar-me, mas que tipo de formação se pode dar aos motards que chegam a uma corrida? A formação é fazer as provas. Começar pelas mais pequenas, adquirir a experiência para se chegar às mais importantes."

Para Rui Panda, não há apenas uma razão para os acidentes com veículos e ciclistas. "Todos os acidentes têm uma explicação: uns a nível técnico; outros pela falta de sorte." E onde se posiciona o que envolveu Froome no Tour. "Nem os ciclistas nem o motard têm culpa. Os ciclistas muito menos. Quem vê as imagens – não as que o realizador quis mostrar, mas aquelas que se podem ver através dos drones e do helicóptero – vê que as motos são barradas pelo público. É nítida a falha da organização do Tour."

Por Ana Paula Marques
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