"Conservadora" Rádio Popular-Paredes-Boavista só quer discutir a geral

José Santos considera que a ausência da W52- FC Porto não tornará a 83.ª Volta a Portugal mais aberta

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A "conservadora" Rádio Popular-Paredes-Boavista tem vontade de voltar a vestir de amarelo, para 'esquecer' o infortúnio na passada edição, e vai partir para a 83.ª Volta a Portugal com o objetivo de "discutir os principais lugares".

"Somos uma equipa um bocado tradicional e conservadora. Os nossos objetivos passam por estar na Volta com o sentido que podemos discutir os principais lugares, tentarmos discutir algumas etapas e passará por aí", resumiu à Lusa José Santos, apontando Luís Fernandes e Daniel Freitas como os homens para a geral e Hugo Nunes como "um ciclista mais para andar nas escapadas e lutar por uma etapa".

A história axadrezada na última edição conta-se numa penada: uma fuga bem-sucedida 'ofereceu' uma improvável amarela a Daniel Freitas à quinta etapa, mas, no dia seguinte, toda a equipa foi forçada a abandonar a prova, na sequência do terceiro caso positivo de covid-19 entre os seus ciclistas.

Por isso, quando é instado a responder se gostava de 'recuperar' a amarela que perdeu para o azar, o diretor desportivo axadrezado nem hesita: "Claro".

"Vontade temos nós, não nos falta para isso, mas entre a vontade e a concretização, vai um passo grande. Agora, que nós vamos fazer por isso, é uma verdade. A Volta é, de facto, a nossa maior aposta. Nossa e de todas as equipas portuguesas. Por isso é que é difícil atingir resultados bons na Volta, porque todos apostam na prova", notou, em declarações à agência Lusa.

É essa aposta coletiva das formações nacionais na prova 'rainha' do calendário que faz José Santos considerar que a ausência da W52-FC Porto não tornará a 83.ª Volta a Portugal mais aberta.

"A filosofia vai ser sempre a mesma, porque, de facto, as equipas portuguesas têm um controlo muito grande umas sobre as outras. Poderá haver é mais equilíbrio", estimou, antes de indicar os corredores da Glassdrive-Q8-Anicolor como principais candidatos a vencer esta edição e os da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel e Efapel como "ciclistas que podem discutir a Volta".

O 'Professor', como é conhecido, duvida que nesta edição as 'convidadas' estrangeiras se possam intrometer numa luta há muito reservada às formações nacionais.

"Os portugueses na Volta estão melhor do que os estrangeiros, porque preparam com muito cuidado a Volta a Portugal. Vão para estágios de altitude. Os estrangeiros quando vêm correr a Volta vêm sem preparação, vêm gordos, não estão habituados ao calor. Vêm fazer mais uma prova e depois dizem que os portugueses andam muito. Tem de se preparar como se preparam os portugueses se quiserem vir ganhar", avaliou.

De acordo com José Santos, "não há praticamente uma etapa em Portugal que seja sempre a rolar, todas têm dificuldades, os percursos são muito difíceis, e a forma de correr dos portugueses é totalmente diferente à de lá fora", motivos pelos quais os estrangeiros "não adaptam a correr aqui".

Satisfeito com o nível geral do pelotão da 83.ª Volta a Portugal, que "nem é fraco nem é forte", mas tem "equipas equiparáveis" às nacionais -só há quatro ProTeams, do segundo escalão mundial, entre as 18 formações inscritas -, o diretor desportivo da Rádio Popular-Paredes-Boavista mostrou-se menos entusiasmado com o percurso, que gostaria que tivesse "mais uma etapa mais durinha".

"Os percursos das últimas Voltas têm sido muito repetitivos. Este ano há uma subida nova, mas têm sido repetitivos", defendeu, referindo-se à inédita chegada ao Observatório de Vila Nova, em Miranda do Corvo, na quinta etapa.

No entanto, José Santos concede que esta edição tem "o condão" de ter mais oportunidades para ciclistas rápidos, embora ressalve que "essas etapas são mais propícias aos ciclistas estrangeiros do que aos portugueses".

"De qualquer das formas, nessas mesmas etapas há sempre dificuldades pelo meio e essas até podem ser as mais difíceis", alertou.

Rádio Popular-Paredes-Boavista

Equipa: Alberto Gallego (Esp), César Martingil (Por), Daniel Freitas (Por), Hugo Nunes (Por), Luís Fernandes (Por), Tiago Machado (Por) e Vicente Hernaiz (Esp).

Diretor desportivo: José Santos.

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