Glassdrive-Q8-Anicolor é só mais uma favorita mesmo com Moreira
Diretor desportivo da equipa diz que há "uma panóplia de ciclistas" para discutir a geral
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A Glassdrive-Q8-Anicolor refuta o estatuto de grande favorita ao triunfo na 83.ª Volta a Portugal, assumindo-se como apenas mais uma equipa que pode lutar pela amarela, nomeadamente com Mauricio Moreira, "um dos melhores ciclistas" que já passou pelo pelotão.
"Os principais, não diria que sejamos. Somos uma das equipas que pode disputar a Volta a Portugal, isso é algo que não podemos negar, porque temos um plantel bastante coeso. Mas, como é óbvio, também existem outras equipas que têm uma palavra a dizer sobre a geral da Volta a Portugal. Somos favoritos como uma ou outra equipa que também o é", defendeu Rúben Pereira, em declarações à Agência Lusa.
Apontada unanimemente por todos os diretores desportivos 'adversários' como grande favorita ao triunfo na 83.ª edição, ou não tivesse dominado toda a temporada e contasse nas suas fileiras com o vice-campeão da passada edição, o uruguaio Mauricio Moreira, a Glassdrive-Q8-Anicolor recusa o estatuto e vira as atenções para outros.
"A Volta a Portugal é sempre muito bem disputada, porque é o ponto alto da época. Todas as equipas apontam as suas setas para esta altura do ano. Penso que todas as equipas nacionais têm um ciclista que se pode intrometer na luta pela geral final. Como é óbvio, o Tavira acaba por ter uma ou outra opção válida, como o Alejandro Marque e o Delio [Fernández], o Louletano com o Vicente García de Mateos. O ABTF tem o André Cardoso", enumerou.
Para o diretor desportivo da Glassdrive-Q8-Anicolor, há "uma panóplia de ciclistas" para discutir a geral, um lote no qual inclui ainda Luís Fernandes ou Hugo Nunes, da Rádio Popular-Paredes-Boavista, "uma ou outra surpresa" de equipas estrangeiras, como Joseph Rosskopf (Human Powered Health) ou Serghei Tvetcov (Wildlife Generation), e, como não podia deixar de ser, os 'seus' corredores.
"O Frederico [Figueiredo] e o Mauricio, por natureza, são duas figuras incontornáveis desta Volta -ou irão ser. Agora, a Volta faz-se longa, são vários dias, e sendo uma corrida que não tem a W52, terá pouco controlo. Será mais aberta", alertou.
A ausência da W52-FC Porto, a equipa que 'imperou' na Volta nas últimas nove edições e que negou o triunfo à estrutura agora denominada Glassdrive-Q8-Anicolor em várias ocasiões, nomeadamente no ano passado- Moreira perdeu para Amaro Antunes apenas por 10 segundos -, faz com que o vice-campeão, muito discreto toda a temporada, seja o 'alvo a abater'.
"O Mauricio, para mim, é um dos melhores corredores que Portugal já teve o prazer de ver correr e acredito que está num momento muito bom da sua época. Apontámos tudo aquilo que era a nossa preparação para o Mauricio para a Volta. Teve alguns percalços ao longo do ano, teve três vezes consecutivas covid-19, teve uma lesão no joelho no início da época que o impediu de fazer uma boa preparação, mas vem já há algum tempo com uma base de trabalho bastante boa", revelou Rúben Pereira.
Após uma temporada em que venceu (quase) tudo o que havia para ganhar, mas 'falhou' o objetivo principal, o uruguaio de 27 anos espera, segundo o seu diretor, que nesta edição aconteça o oposto.
"Às vezes, comento com ele que no ano passado ganhámos muitas corridas até chegar à Volta e perdemos [lá]. Este ano, ele chega à Volta com apenas uma vitória muito recente, na semana passada, no Grande Prémio Anicolor, e [se calhar] leva aquilo que é o prémio mais desejado, que é a geral da Volta", reforçou.
Ainda assim, Rúben Pereira nega que se o assalto à prova 'rainha' do calendário nacional falhar e a amarela pertencer a outro no dia 15 de agosto, em Gaia, a sua equipa esteja perante um fracasso.
"Levamos 16 ou 17 vitórias esta temporada, temos dominado o calendário como é bem verdade. Acho que isso diz muito da nossa equipa. Tem 26 anos e só tem uma vitória escrita no nome do clube na Volta a Portugal, que foi 2012 com o David Blanco. Aí está a prova de que esta equipa não precisa, ou não vive só em torno da Volta para a sua sustentabilidade. Claro que é importante a vitória na competição, é muito importante, é o ponto alto e é para isso que trabalhamos diariamente, mas não vivemos obcecados com isso", garantiu.
Considerando o percurso "mais equilibrado", apesar de "a dureza" estar "lá na mesma" e "as etapas decisivas também", Pereira apontou a inédita chegada ao Observatório de Vila Nova, em Miranda do Corvo, como "uma grande surpresa para o pelotão".
"Provavelmente, pode ser uma chegada que pode marcar muitas diferenças na geral. É uma subida que não se sobe de ritmo, é uma subida que cada um vai fazendo ao seu ritmo e é muito exigente logo na parte inicial. Toda ela obriga a um grande esforço constante, que penso que pode abrir um fosso grande para ciclistas que se defendam menos bem na montanha", avaliou.
No entanto, o diretor desportivo da Glassdrive-Q8-Anicolor não tem dúvidas de onde será decidida a 83.ª edição, que parte para a estrada na quinta-feira, em Lisboa: "tudo indica que [o contrarrelógio] Porto-Gaia será o palco final [das decisões] da Volta a Portugal".
"A Volta está bem desenhada, há que dar os parabéns à organização, porque esteve muito bem no percurso. É um percurso que passa por terras de ciclismo, o que é bastante importante, a Volta ir às terras onde o ciclismo é desporto rei. Acaba por ter os ingredientes principais para estar montado um bom espetáculo para o mês de agosto", concluiu.
Glassdrive-Q8-Anicolor
Equipa: António Carvalho (Por), Fábio Costa (Por), Frederico Figueiredo (Por), Javier Moreno (Esp), Luís Mendonça (Por), Mauricio Moreira (Uru), e Rafael Reis (Por).
Diretor desportivo: Rúben Pereira.