João Almeida ataca a Vuelta com confiança no talento: «Só dependo das minhas pernas!»
Português é o principal escudeiro de Tadej Pogacar na prova que arranca este sábado
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É já amanhã, sábado dia 22 de agosto, que arranca a Vuelta, com João Almeida a estrear-se em Grandes Voltas esta temporada. Recuperado de um vírus que o afastou da ribalta ao longo dos últimos meses, o ciclista português da UAE Emirates quer recuperar a confiança perdida e ajudar Tadej Pogacar a subir ao lugar mais alto do pódio. Resultados individuais? "Logo se vê", disse, bem ao seu jeito, o corredor de 28 anos, que não se importava de repetir o feito de 2025, quando foi 2.º e ganhou uma etapa.
Confiança após queda na Polónia: "Tive uma semana dura na semana passada, mas estamos aqui à partida para dar o nosso melhor. É claro que chego com pouca confiança, não só em termos de resultados, mas porque a preparação não foi o ideal. Não conseguir fazer a Volta à Polónia como queria, teria sido muito importante para ganhar ritmo de competição e ter um estímulo diferente do treino, além de testar as pernas. Mas podemos sempre estar confiantes no nosso talento. Sendo um voltista, espero ir melhorando de dia para dia. Mesmo que comece mal, espero continuar todos os dias e chegar à última semana melhor do que comecei. Estamos aqui para dar o melhor e felizmente temos um grande líder para nos dar bons resultados."
Nunca vimos no passado campeões como o Pogacar a fazer pelos colegas o que ele faz. Acho que é mesmo muito raro ver isso no ciclismo
João Almeida
Ciclista da UAE Emirates
Pogacar tira pressão? "Sim, sem dúvida. Ele é quase uma garantia. As perguntas para ele já nem são se vai ganhar, mas se vai ganhar pormuito ou pouco ou onde vai atacar... É quase uma garantia, embora saibamos que na realidade é difícil para todos, mesmo para ele, e há muitos fatores fora do nosso controlo. Mas ter o Tadej dá uma tranquilidade enorme a toda a equipa e tira a pressão de cima de tudo."
Pódio com a ajuda do líder? "Só dependo mesmo das minhas pernas! Ele é um corredor muito simpático em todos os aspetos e extremamente generoso. Gosta de recompensar qualquer colega de equipa pelo trabalho que fazemos por ele. Acho que nunca vimos no passado campeões como ele a fazer pelos colegas o que ele faz, é muito raro ver isso."
Geral ou etapas? "Vou dia a dia, ver como me sinto. Obviamente vou tentar ajudar o Tadej ao máximo que conseguir. As questões de resultados individuais vão ficar pendentes, vou ver no dia a dia como estou e dar o meu melhor. Se o Pogacar me bloqueia? Ninguém está bloqueado! É tudo uma questão de força e capacidade física."
Primeiros dias da Vuelta: "Vou dar o meu máximo nestes primeiros dias para ver onde estou e como me sinto. Se vir que não estou bem para discutir uma classificação geral, focar-me-ei noutra coisa, mas o principal neste momento é ajudar o Tadej. Somos uma equipa forte e temos de estar bem para ajudá-lo no que ele precisar. Tentar manter-me na frente, estar no primeiro grupo com os melhores e depois ver dia a dia."
Penso no joelho esquerdo: "Foi na Volta à Polónia. Foi uma ferida um pouco mais funda e uma pancada forte com edema ósseo, mas nada de especial. É só para não apanhar sol. Mais uns dias e tiro o penso. Está tudo tranquilo."
'Apertado' pela ascensão de Del Toro? "Sinto-me igual. Acho que há espaço para todos. É um bom companheiro de equipa, dou-me muito bem com ele e fico super feliz pelos resultados que tem tido e por ver o esforço dele ser recompensado. Isso não interfere muito. O que interessa é a nossa capacidade e os nossos objetivos."
O ciclismo é a minha grande paixão e o meu objetivo de vida. Tudo o que faço é com o objetivo de ser um melhor ciclista
João Almeida
Ciclista da UAE Emirates
Pormenores sobre o vírus: "Não é assim tão simples perceber isso, principalmente pós-doença. É um tema complexo e sinceramente não quero estar aqui a detalhar tudo o que aconteceu. São coisas que acontecem. Já vimos no passado vários corredores, por exemplo o Cavendish com mononucleose ou atletas com Covid prolongado, ficarem impedidos de andar no limite durante meses. O corpo por vezes reage assim. Não interessa muito saber o que é ou o que não é; o que interessa é que às vezes as coisas não correm tão bem, mas estamos sempre aqui a tentar dar o nosso melhor."
Capacidade mental para ultrapassar dificuldades: "Por um lado sim, porque é muito frustrante trabalhar tanto e depois não estar ao nível desejado. Mas por outro lado é aceitar que as coisas nem sempre correm como queremos. Faz parte da vida ter percalços; se esse fosse o maior problema das nossas vidas, acho que o mundo estaria muito melhor do que está. O ciclismo é a minha grande paixão e o meu objetivo de vida. Tudo o que faço é para ser um melhor ciclista. Há sempre uma aprendizagem a tirar e estes momentos tornam-nos mais fortes mentalmente. O passado já passou, o foco está para a frente."