João Almeida e a tática para bater Jonas Vingegaard: «É ter melhores pernas»

Português chega à segunda semana a 38 segundos do dinamarquês

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Vingegaard e Almeida em marcação
Vingegaard e Almeida em marcação • Foto: UAE Emirates-XRG-ph sprint

João Almeida fez esta tarde o balanço da primeira semana da Volta a Espanha bem como a antevisão do que ainda falta disputar.

Já sobre as criticas que fez no final da etapa de domingo à falta de ajuda dos companheiros, diz que foram um desabafo de quem estava de "cabeça quente", mas ainda assim admitiu que sem a ajuda de uma equipa não se consegue vencer uma Grande Volta.

E terá a UAE Emirates, que na primeira semana meteu-se em fugas para vestir a camisola da montanha e vencer etapas, capacidade para fazer o que a Visma fez na etapa de domingo, com um ataque em bloco? "Acho que sim, mas foi de facto um ataque surpresa bastante inesperado, mas demos o nosso melhor, salvámos o dia, por isso estamos satisfeitos", disse o ciclista português que nesse dia foi terceiro na meta, a 24 segundos de Jonas Vingegaard.

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"O balanço da primeira semana é excelente, porque temos que ter em consideração algumas condicionantes. Cheguei à Vuelta após abandonar o Tour com fratura de uma costela. Era um pouco incerto como podia estar. Seja como for, falta muita Vuelta, e etapas bastantes duras", sublinhou João Almeida, em conferência de imprensa virtual.

E como se pode bater Jonas Vingegaard? "É ter pernas, sem mais forte", constatou o ciclista da Emirates, que não fugiu ao tema que agita a Volta a Espanha, que é a estratégia da equipa, refletida nas polémicas declarações que João Almeida proferiu após a etapa de domingo, fazendo alusão à falta de apoio dos colegas.

"Na altura, as coisas saem assim mais de cabeça quente. Acho que a minha equipa esteve muito bem, protegeu-me o dia todo, mesmo na altura que a fuga se formou. Se calhar, na altura do ataque [de Vingegaard] não estivemos no nosso melhor, mas tive um Jay Vine incrível. Mesmo depois de ter estado o dia todo a trabalhar e de ter tentado ir para a fuga, deu-me ali uma bela ajuda e fez a diferença", justificou.

Mas terá a Emirates demasiados objetivos: etapas, conquistar camisolas e a geral, quando a Visma se foca apenas em levar Vingegaard à vitória final? "Acho que não", começou por dizer João Almeida. "Por exemplo, o Jay Vine tem sempre a preocupação de descair para me ajudar".

Certo é que a Emirates iniciou a Vuelta com dois lideres: João Almeida e Juan Ayuso. Foi uma boa aposta? "Faz sentido, é uma vantagem, mais do que isso não [risos]. Mas agora só temos um, que sou eu", vincou o ciclista de A dos Francos, com resposta pronta quando questionado se lhe falta uma vitória numa Grande Volta para ter o respeito dos colegas de equipa, como têm para com Tadej Pogacar.

"Mais ou menos, acho que não...com o Tadej é tudo diferente, tem uma capacidade total. Estamos aqui na Vuelta e claramente sabemos que o Vingegaard é um corredor superior e dá mais garantias de ganhar a Volta a Espanha do que eu, embora saiba que estou na luta e sei do meu valor. É um bocadinho diferente e a equipa não pode fazer exatamente o mesmo que faz com o Tadej".

Ainda em relação à etapa de domingo, João Almeida reconhece que se tivesse mais colegas ao pé de si, e espeficiou o nome, na altura do ataque surpresa da Visma, a história poderia ter tido outro final. "Aí sim, podia ter alguém que me pudesse ajudar. Se calhar, um [Juan] Ayuso se estivesse ali, podia ser dos poucos corredores que poderia fazer o trabalho de fechar aqueles espaços. Mas para isso é preciso ser forte e, para se ser forte, tem de se ser mais forte do que quem está na frente. E quem está na frente é alguém que já ganhou a Volta a França duas vezes", destacou. "Não posso falar de todos, mas no geral a equipa tem estado bastante bem e o objetivo [da geral] é claro".

Após o primeiro dia de descanso, a Vuelta regressa esta terça-feira com uma etapa que tem chegada em alto.

Perfil da etapa desta terça-feira
Perfil da etapa desta terça-feira

Mas a segunda semana terá outras etapas decisivas, nomeadamente a de sexta-feira, com final numa das mais temivéis montanhas do ciclismo mundial, o Angliru, nas Astúrias.

"Amanhã [terça-feira] já temos etapa de chegada em alto, que também é dura. No dia seguinte, temos a etapa de Bilbau, que também é muito traiçoeira. [...] Depois temos o Angliru, o dia a seguir também é bastante duro. Aqui não há grande segredo, é só ter pernas e força para ganhar tempo na estrada. É uma Vuelta muito dura, com muitas chegadas em alto. A única forma de ganhar tempo é realmente ser mais forte", analisou João Almeida sobre o que se prevê para os próximos dias.

Confira a classificação geral à entrada para a segunda semana.

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