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"Balanço positivo" na despedida de Portugal do Campeonato do Mundo de Kickboxing

Uma medalha de prata, duas medalhas de bronze e dois atletas qualificados para os World Games de 2022. Eis o resumo da participação portuguesa no Campeonato do Mundo de Kickboxing, que se disputou em Itália durante esta semana. Em conversa com Record, a equipa técnica que liderou a comitiva lusa não esconde o contentamento com os resultados alcançados.

"Para mim, uma pessoa que não estava aqui há muito tempo, o balanço tem de ser extremamente positivo. No ringue, temos uma equipa muito jovem e todos os elementos brilharam a competir contra adversários muito mais rodados. Tivemos resultados fantásticos, que só não foram ainda melhores porque tivemos três atletas que perderam os seus combates mesmo na reta final por um bocadinho de falta de sorte. Não vou dizer que fomos roubados, mas, na prática, o Ricardo Hilário ganhou a final. No entanto, em termos de proporção, conseguimos resultados melhores do que muitas. Temos pena que mais clubes não tenham aderido por causa dos problemas que a Federação enfrenta, mas isso não nos diz respeito porque fomos convidados pela WAKO", referiu Raúl Lemos, responsável pela vertente de ringue.

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Apesar de, no tatami, todos os atletas terem perdido no primeiro combate, Pedro Telles, responsável por esta vertente, assumiu que conseguiu tirar ilações positivas da competição. "Foi uma prestação na linha do que tem acontecido nos últimos anos. Apesar disso, consegui tirar algumas indicações muito positivas. Os atletas ganharam experiência e à vontade neste tipo de provas. Tivemos de arranjar os ateltas em cerca de dois meses, foi nessa altura que a WAKO nos convidou para esta competição", vincou, dando ênfase às dificuldades sentidas na preparação da prova: "Numa situação normal, faríamos meua dúzia de estágios, aspeto que nos permitiria avaliar a evolução dos atletas. Neste caso tivemos de nos valer da boa fé dos treinadores e nem nos preocupámos muito em ver se eles estariam bem tecnicamente porque eles é que tiveram de pagar a deslocação. Nós só dissemos "Vocês sabem para o que vão e que o nível é muito alto". O nosso trabalho foi muito condicionado por todas as limitações que tivemos. Apesar disso, conseguimos uma medalha de prata, duas de bronze e dois atletas qualificaram-se para os World Games".

Expulsão explicada e expectativa pelo futuro

A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai foi banida pela WAKO, Federação Internacional de Kickboxing, aspeto que obrigou a comitiva lusa a viajar para Itália e a participar na prova de forma ‘não oficial’. João Diogo, team manager, explicou a situação ao nosso jornal.

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"Vários treinadores fizeram queixas à WAKO pela forma como a Federação trabalhava e a WAKO decidiu investigar. Os estatutos da Federação tinham várias coisas ilegais e, perante isto, a WAKO começou por suspender a Federação e, posteriormente, acabou por a expulsar. As regras da Federação não estavam de acordo com as do Comité Olímpico, onde a WAKO está inserida e aos quais tem de obedecer, e a expulsão aconteceu. No entanto, a WAKO nunca quis que Portugal ficasse de fora deste Campeonato, entrou em contacto comigo, disseram-me em quem estavam a pensar para se formar a equipa técnica e a situação avançou. Sabíamos que íamos ter um trabalho inglório e que muitas pessoas não iriam vir connosco por medo de represálias. No entanto, avisei que estarei sempre disponível para trabalhar em prol do kickboxing português", salientou.

Para além disso, o dirigente perspetivou ainda o que pode ser o futuro da modalidade: "Quando terminarem os recursos todos que a Federação pode apresentar, tem de ser o estado português a dizer o que se vai fazer. Se a Federação não tem o reconhecimento da WAKO, o Kickboxing pode ser-lhe retirado e pode ser criada uma nova federação, que terá os estatutos de acordo com o que a WAKO obriga, com outras pessoas. Na minha opinião, é o caminho que faz sentido, espero que assim aconteça. Não faz sentido estarmos aqui com apoios tão reduzidos, precisamos de um apoio mais constante".

Por Diogo Matos
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