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Uma organização a crescer e com planos para continuar a crescer. Tanto para o lado asiático como também para África, com projetos já em prática para levar o kickboxing a um outro nível. É essa a garantia de Donato Milano, membro da direção da WAKO Pro e também presidente da Federação Italiana, a FIKBMS. A Record, no âmbito da realização do UAM Fight Night K1 Pro, em Abu Dhabi, o italiano abordou também a qualidade do kickboxing do nosso país e apelou que a situação de impasse político seja resolvida para 'libertar' o talento dos lutadores lusos.
RECORD - Como começou a sua ligação aos desportos de combate?
DONATO MILANO - A minha carreira começou ainda a preto e branco. Há muitos anos. Tornei-me diretor de um programa de educação e durante 20 anos fui treinador da seleção. Em 2014 tornei-me presidente da Federação Italiana e depois como 'vice' da WAKO. Coopero com o Carlos Ramjanali na WAKO Pro, temos um grande novo projeto e temos de agradecer ao Carlos por este grande feito. É muito importante para a modalidade. Comecei a fazer kickboxing em 1977. Há muito tempo! Agora trato de todos os desportos de combate na federação: o kickboxing, Muay Thai, Savate Shoot Boxe, Sambo e MMA. A FIKBMS abrange todas as modalidades. Sou também membro do Comité Olímpico Italiano.
Em termos desportivos, comecei porque algo aconteceu na minha vida. Quando era jovem, tentei jogar futebol, mas conheci umas pessoas que faziam karaté. Fiquei apaixonado e comecei a fazer karaté contact, e depois passei a full contact. Tinha uns 11 anos. A jogar futebol era sempre o que ia à baliza, não era grande coisa.
RECORD - O que achou deste evento realizado aqui nos Emirados Árabes Unidos?
DM - Temos de agradecer ao Carlos por esta ponte que criou para organizar este evento, que já é aqui realizado pela quinta vez. É um país com muitas capacidades, querem fazer crescer o kickboxing e, claro, têm instalações e dinheiro para organizar grandes eventos. Escolheram os melhores lutadores do mundo e o evento foi perfeito. Na nossa opinião, este país está no centro entre Europa e Ásia. É bom sermos atrativos para os países asiáticos. Há boas instalações, hóteis, aeroportos. Tentamos que este seja o coração do kickboxing, por estar no centro entre a Europa e Ásia. Até porque há lutadores que são de países que têm dificuldades para viajar para a Europa por causa dos vistos e aqui é mais fácil.
Com o Carlos, CEO da WAKO Pro, temos um grande projeto para melhorar a organização. Queremos trabalhar com Japão e China, já temos boas relações. Tivemos lutadores chineses aqui. Temos muita abertura das pessoas do Emirados Árabes Unidos para nos ajudarem a evoluir este projeto. É muito importante. Queremos criar uma sede aqui. Temos também a Tailândia na mira, mesmo sendo um país de muay thai já começaram a apostar no kickboxing. Por isso temos de ir lá ajudá-los. Nos desportos de combate, o kickboxing tem um enorme número de lutadores. A nossa missão é reuni-los rumo à mesma direção, para estarem nos melhores eventos. E, não esquecendo, a nossa missão é chegar aos Jogos Olímpicos. Para 2028 perdemos por 1 voto, para o críquete. Mas temos tempo e acho que acabou por ser melhor assim, pois dá-nos mais tempo para nos prepararmos. Os Jogos Olímpicos são algo muito complicado. Na nossa cabeça são más notícias, mas na realidade são boas notícias. Temos seguido na direção certa.
O kickboxing é a melhor modalidade de combate em termos de estrutura e número. Mas temos de criar agências profissionais de marketing, de comunicação. Temos um Ferrari, mas não temos um piloto. Temos de criar isso. Não podemos esquecer que os desportos de combate estão em quarto lugar a nível mundial. Mas temos possibilidade de ir ainda mais acima.
R - Além da Ásia, têm planos de expansão para África?
DM - Queremos reorganizar África. Mas é um continente com problemas internos, não é fácil. Mas com a nossa relação criámos três grupos: Norte, com países como Marrocos ou Egito; Senegal e os países próximos; e a África do Sul e países envolventes. Temos pequenos grupos de países, para depois juntá-los para criar um movimento africano. Tentamos ajudar com apoio económico, porque alguns não têm dinheiro. Acho que no final deste ano, no máximo, teremos um projeto para apoiar África. Imaginando: Itália ficaria com Nigéria. Portugal com Angola. França com Argélia, por exemplo. Seríamos como uns tutores desses países. Temos a mentalidade para a questão política e temos de transferir isso. De momento é necessário ter um diretor de fora, fora desses conflitos internos. Vamos gerir tudo e quando eles tiverem aprendido, vamos deixá-os sozinhos. Acho que em três anos isso acontecerá.
R - Qual a sua opinião do kickboxing português?
DM - Conhecemos a história da Federação Portuguesa e dos portugueses, que são um povo muito forte. Mas as questões políticas foram muito más. Na WAKO expulsámos a outra federação, dirigida por outras pessoas. Agradecemos ao Carlos pela sua paixão, é o homem certo, quis criar uma entidade da forma correta, de forma democrática. Estamos à espera da decisão legal. Esperemos que este ano tudo seja finalizado. É muito importante, pois são muito fortes. Tivemos aqui três lutadores neste evento, mas eles não vivem em Portugal. Não têm a possibilidade de fazê-lo. Não é bom para os portugueses. Estou certo de que o Carlos no futuro irá organizar, quando tudo ficar resolvido, uma grande federação em Portugal, para todos os desportos de combate de Portugal. de forma a poderem continuar em Portugal e não ter de sair.
R - Que lutadores se lembra da sua época?
DM - O Carlos, por exemplo! Era muito bom lutador, mas havia outros muito bons. Não sou bom com os nomes, mas lembro-me das caras! Há muito bons lutadores em desportos de ringue. Acho que em dois anos, no máximo, Portugal estará no lugar que merece.
R - O Mundial WAKO realizado em Albufeira foi um passo importante para isso...
DM - Outra vez, agradecemos ao Carlos. Não foi fácil. Tivemos muitos problemas, da oposição e pelo facto de não termos tido apoio estatal e das autoridades locais. Não entendiam o que isto representava. Mas foi um sucesso e agora muita gente quer ter eventos, perguntam quando podem ter. Não é uma questão de desporto, mas um evento comercial. Há gente que quer comprar apartamentos em Albufeira ou Lisboa. Os políticos perderam uma boa ocasião de mostrar o que é Portugal, o que têm lá. Agora muitos ligam-nos a pedir para organizar eventos. Vamos fazê-lo, só queremos clarificar esta situação e teremos eventos grandes em Portugal. Agradecemos ao Carlos pela sua paixão. Ele trabalha para isto e sinceramente não precisa. Mas quer! Não tem interesse pessoal, fá-lo apenas pela paixão. Tento ajudá-lo a desenvolver a modalidade da melhor forma. Têm bons treinadores e atletas... Quando tratarmos esta situação legal, podem imaginar o que significará para Portugal, pela ligação a outros países, o facto de estar no meio, entre América do Sul e outros países europeus? Queremos criar todos os anos um grande evento numa cidade como Lisboa ou próxima. Para ser atrativos para todos estes países. É um país com boas instalações e barato, isso é importante. É esse o nosso projeto.
R - Como está o kickboxing em Itália?
DM - Comecei na minha federação com alguns problemas. Depois do acidente do nosso anterior presidente, o Ennio Falsoni, não foi fácil. Vivemos um momento díficil. Fui eleito presidente - não sei porquê (risos) -, tentei reconstruir e mudar a mentalidade. Foi esse o desafio. O maior desafio. Agora temos uma Federação no caminho certo, somos reconhecidos e eu estou no Comité. Temos 40 mil membros, mas acho que em Itália temos mais de 150 mil praticantes de kickboxing. A minha ideia é ter todos esses atletas na minha Federação. Somos um país forte no tatami, temos campeões mundiais aí. Temos atletas em bom nível ea nossa federação está no caminho certo.
R - Continua a treinar?
DM - Três vezes por semana, mas tenho de fazê-lo de manhã cedo. Logo às 6 da manhã, porque depois quando ligo o telemovel... o meu dia acaba. Tenho reuniões, viajo muito... Vivo no Sul de Itália, em Bari, tenho um escritório em Roma, a 500 quilómetros, outro em Monza, que é a 1000 km. Estou sempre a viajar todas as semanas.