"Um balanço super positivo, um resultado inédito no kickboxing português". É desta forma que o selecionador nacional Raúl Lemos analisa a campanha portuguesa no Campeonato do Mundo de kickboxing da WAKO, que este sábado chegou ao fim em Abu Dhabi. Com cinco medalhas no total, duas delas de ouro, Portugal fez história e o técnico enaltece isso mesmo.
"Foi o resultado inédito. Correu super bem, as atletas em questão estiveram completamente focadas e seguiram as nossas recomendações e entre a equipa conseguimos alcançar o objetivo que está à vista de todos. Foi um sucesso", destacou o selecionador nacional.
E nem mesmo um sorteio matreiro - com várias adversárias de peso logo a abrir - travou o avanço das atletas lusas. "Nas meias finais acabámos sempre por apanhar as números 1 e agora nas finais a Catarina [Dias] apanhou a número 2, que também era difícil. E apanhámos também atletas profissionais...", lembrou.
Os atletas é que jogam no ringue, mas os treinadores estão lá no canto a dar indicações. Na descrição de Raúl Lemos, os técnicos são o "joystick do jogo" e, no papel de 'jogadores', todos os lutadores respeitaram as indicações. "Sou um joystick e digo vai para a esquerda, vai para a direita e elas seguem aquilo à risca e o trabalho de equipa que nós fazemos corre bem. Foi um sucesso."
Estreantes deram boas indicações
O Mundial de Abu Dhabi marcou a estreia para alguns atletas nestas andanças e, na ótica do selecionador, todos se mostraram em bom nível. "Estiveram dentro das expectativas. Um ou outro acabou por ter azar, pois apanhou campeões no seu caminho. Perdemos por um ponto, por dois pontos, andámos ali taco a taco e tivemos a infelicidade de, às vezes, nos últimos segundos não conseguirmos ganhar. Ou, então, perdemos nos últimos segundos. Mas, no geral, foi super positivo o campeonato para todos. Para os que vieram pela primeira vez, a experiência que tiveram, ganharam uns combates, perderam outros, mas perceberem qual é a dinâmica aqui da competição. E também, conhecerem as pessoas, os atletas, interagiram com eles e principalmente, claro, tirar o partido do campeonato em si e absorverem estes conhecimentos que aqui têm. Para num próximo campeonato correr ainda melhor, para perceberem como é que funciona."
Isto num Mundial que serve de boa referência, especialmente pelo nível que teve. "Este campeonato para mim foi um dos que teve mais atletas. No meio do fácil, foi o campeonato mais difícil de todos, porque tinhas mais atletas e muito mais competidores de topo, tanto nas mulheres como nos homens. Foi um campeonato difícil mas que nós conseguimos desbravar e chegar lá."
Que seja o passo que faltava
Raúl Lemos finalizou com um apelo. Que este campeonato sirva para, de uma vez por todas, se tomar uma decisão em Portugal quanto ao reconhecimento oficial da FNKDA como a federação nacional do kickboxing.
"Espero que isto ajude bastante, que o nosso Estado olhe para nós, o nosso IPDJ, o nosso Comité Olímpico, e que vejam que nós estamos no caminho certo, com as pessoas certas, com a Federação Internacional certa e com a Federação Nacional certa. É kickboxing, é o kickboxing para todos e estamos aqui a lutar para que os atletas tenham um futuro na modalidade. E esperemos que nos ajudem nesse sentido também e que acabem as confusões e as guerras, neste caso com a outra federação. Cada um do seu lado, cada um com a sua modalidade."