Nome histórico do kickboxing, por conta do seu registo perfeito na modalidade, com 84 vitórias e 0 derrotas, o esloveno Tomaž Barada esteve na última semana a acompanhar a par e passo os Mundiais WAKO realizados em Albufeira e, ainda que aponte alguns pequenos detalhes, mostrou-se bastante agradado com aquilo que viu. Ao nosso jornal, o agora elemento do Board da WAKO assumiu ainda que a realização destes campeonatos são um marco importante para o nosso país.
"É muito importante haver um campeonato internacional em Portugal. O último foi em 2006 e depois de tanto tempo voltamos a ter o evento cá. É importante organizar algo aqui para a Federação. Houve algumas coisas que não nos agradaram, mas o staff tentou sempre ajudar e resolver. Gosto do pavilhão, apenas a sala de aquecimento é algo pequena. Mas fizeram o vosso melhor, para mim é o mais importante. Quando tentam fazer o melhor é sempre bom", começou por dizer, em declarações a Record.
"É um passo grande organizar um torneio. Quando organizas um torneio, que permite ver ao país ver que algo grande aconteceu. Tivemos 70 países, 1700 atletas. As pessoas verão que somos uma modalidade importante, isto vai motivar as pessoas para o fazê-lo, mas os outros atletas vão ver o nível, vão trabalhar e nos próximos campeonatos vão aparecer mais fortes e preparados. E vão conseguir mais medalhas", previu.
Da ginástica ao taekwondo
Passados os elogios à organização portuguesa, Barada falou-nos um pouco da sua carreira, que teve um início algo... diferente. Começou na ginástica, aos 6 anos, passou pelo taekwondo, onde chegou a ser vicecampeão europeu e segundo melhor do ranking mundial. Tudo corria bem até que uma lesão lhe travou a evolução nessa modalidade e lhe abriu as portas de outra. "Esse foi o ponto de viragem", assume.
"Não conseguia competir no taekwondo e tive de encontrar algo mais, porque tinha um acordo com um patrocinador, que precisava de combater. Tive um contacto com a federação de kickboxing, pois havia um Mundial em Estugarda. Pediram-me para ir e eu fui". E tudo mudou aí. "Apaixonei-me, apreciei e continuei. Tive sorte. Competi onze anos e nunca perdi!"
Mais de uma década a competir e sem qualquer desaire deram-lhe nome, mas também experiência, que agora passa para as novas gerações. "Sou treinador e treino muitos atletas que foram campeões europeus e mundiais. Já tive 39 campeões europeus e mundiais. Estou muito feliz por isso, fui lutador imbatível, mas o que fica mais é conseguir isto", assume o técnico, que com orgulho revela que no último Europeu teve 5 campeões absolutos, várias pratas e bronzes e que em Albufeira conseguiu também três campeões mundiais e dois 'vices'.
"As coisas vão pelo seu caminho, não podes ficar parado. Tive o que queria enquanto lutador e o passo seguinte era fazer lutadores, fazer campeões é um prazer. Tens de dar um passo em frente. Depois disso tornei-me presidente da Federação Eslovena, elemento da direção da WAKO. Digo sempre que temos sempre de pensar em frente", diz.
Ainda assim, aos 50 anos, o esloveno assegura que continua a "adorar ir ao ginásio, dar seminários por todo o mundo", de forma a passar os seus conhecimentos.
O orgulho do pai
Natural de Maribor, a segunda maior cidade do seu país, Barada abriu em 2002 um ginásio, onde desde então concentra uma enorme legião de atletas. É por lá que partilha os seus conhecimentos, com uma aluna muito especial, a sua filha Tyra Barada, que em Albufeira se sagrou novamente campeã mundial.
"Para mim é algo mais. Quando competia era só eu. Agora, quando vejo as crianças que treino a ganhar, crianças pelas quais são responsável, é algo fantástico. Diria que se não sentes isso, nunca sentirás. Especialmente com a minha filha. No momento em que a vi ganhar tudo, de juniores a seniores, foi incrivel. A nova geração está a vir é entusiasmante", assume.
"Posso dizer que estamos a evoluir. Estamos no segundo grupo do ranking. Coloca-nos num nível superior. Os atletas têm apoio do governo, têm dinheiro, seguro. É importante sentir que são parte do desporto esloveno".
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