Carlos Ramjanali e a participação portuguesa no Mundial de kickboxing: «Estava à espera disto»

Comitiva lusa conquistou três medalhas na competição

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Assumindo que há uma forte possibilidade de Portugal receber o Campeonato do Mundo de Kickboxing de Juniores e Cadetes em 2022, Carlos Ramjanali, dirigente da WAKO, fez ainda um balanço positivo do Campeonato do Mundo que decorreu em Itália e elogiou bastante a prestação portuguesa na prova.

Record: Enquanto membro do conselho da WAKO, que balanço faz daquilo que foi o Campeonato do Mundo?



Record: Enquanto membro do conselho da WAKO, que balanço faz daquilo que foi o Campeonato do Mundo?

Carlos Ramjanali: "Vivemos um período atípico por causa da pandemia, mas, apesar disso, ficámos surpreendidos com a quantidade de gente que veio a esta prova e com a qualidade da competição, não esperávamos que o nível fosse tão alto. Temos a sensação que, felizmente, o tempo perdido não foi muito, que os atletas se mantiveram num nível aceitável e que, a partir de agora, tudo vai ser melhor. Fazemos assim um balanço positivo."

R: Num plano mais particular, como olha para a participação dos atletas portugueses na prova?

CR: "Esperava isto porque conheço bem os treinadores que estão à frente da comitiva. O conhecimento que eles têm é importante neste tipo de competições, em que o ritmo competitivo é muito alto. Do que fomos falando, percebi que estavam a fazer um bom trabalho. Atendendo às circunstâncias em que o kickboxing está em termos federativos em Portugal, foi uma surpresa, mas dada a qualidade dos técnicos e dos atletas, esperava mais ou menos isto.

Da parte da WAKO houve a preocupação de proteger os atletas desde que aconteceu a expulsão da Federação. Criámos um mecanismo para que os agentes desportivos pudessem continuar a competir a nível internacional e para que os árbitros e os treinadores pudessem continuar a participar em formações e cursos. Isso, pelos vistos, deu resultados positivos, já que esta é uma das melhores prestações de sempre de Portugal num Campeonato do Mundo."

R: Estes dias foram também especiais para si na medida em que foi alvo de uma homenagem…

CR: "Foi o reconhecimento de tudo o que se fez pelo kickboxing em Portugal e o reconhecimento do meu modesto contributo para o kickboxing internacional. Dez pessoas da comunidade internacional foram homenageadas e foi-lhes atribuída uma placa com os cincos anéis do Comité Olímpico Internacional. Foi um gesto pelos bons serviços que prestámos ao longo dos últimos anos. Como português coube-me a mim, mas é um agradecimento ao país em si."

R: A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai está banida pela WAKO. Há perspetivas de a situação ficar resolvida em breve?

CR: "É um processo sobre o qual não é possível falar muito, estamos a aguardar pela tomada de posição das autoridades portuguesas."

R: O que é possível revelar acerca do processo de candidatura de Portugal para acolher o Campeonato do Mundo de Juniores e Cadetes de 2022?

CR: "Este é o campeonato que aglomera mais gente, serão cerca de 4 mil atletas em competições. A WAKO identificou alguns países com interesse e a decisão vai ser tomada entre Portugal e a Irlanda, sendo que a Irlanda tem um 'handicap': já vai receber um campeonato em 2023. Portugal tem a vantagem de não realizar um campeonato há 16 anos. Lisboa é uma cidade apetecível e tem todas as condições para receber esta prova. Tudo indica que isso possa acontecer, a decisão vai ser tornada oficial daqui a três semanas. A questão da Federação tem de estar resolvida até lá também."

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