Caso João Carvalho: O que está na cabeça de Charlie Ward?

Psicóloga da saúde explica a Record os efeitos da tragédia

• Foto: Direitos Reservados

A morte de João Carvalho, lutador de Mixed Martial Arts, continua na ordem do dia. Depois das declarações do árbitro Mariusz Domasat, que garantiu ter cumprido todos as regras da modalidade, e do pai de Charlie Ward, que assegurou que o filho não teve intenção de matar o português, levantam-se outras questões, que se prendem precisamente com o lutador que defrontou João Carvalho.

O que sente um lutador depois de um desfecho trágico envolvendo o adversário? Será que existe remorso ou sentimento de culpa por ter conduzido o outro lutador à morte, ainda que de forma involuntária? E existe forma de reverter este processo? Questões que o Record procurou responder, consultando para isso a psicóloga da Saúde Mafalda Rodrigues Leitão.

"Antes de mais é importante entender que por trás desta violência, estão seres humanos. E por trás deste desporto há a filosofia do auto controlo e do respeito, da qual não nos podemos esquecer. Ou seja, pensarmos que esta pessoa, que matou outra de forma involuntária, não está a sofrer, é totalmente errado. Efetivamente, esta pessoa sofre e o sentimento de culpa deve estar bem patente. Porque uma coisa é a violência extrema, que deve ser encarada de forma diferente para este lutador e, por exemplo, uma pessoa comum da sociedade", revela Mafalda Rodrigues Leitão.

Estas marcas mais ou menos indeléveis ficarão na mente de Charlie Ward, que certamente receberá apoio adequado nos próximos tempos. A morte de um lutador é algo que, à partida, não está previsto neste tipo de combates. Por isso, tudo pode acontecer nos próximos tempos: "São marcas que ficam para sempre, mas que podem ser atenuadas com tratamento e apoio psicológico. É certo que este indivíduo não conseguirá, tão depressa, alcançar o equilíbrio corpo-mente que outrora tinha. Porque apesar de ter sido tudo feito corretamente, dentro das regras, ele culpabilizar-se-á."

Esta 'culpa' é, de resto, a chave para um eventual tratamento futuro: "Essa culpa terá de ser trabalhada. Talvez seja o grande foco deste tratamento. E depois será todo um trabalho de auto confiança e questões associadas à ansiedade. São pessoas que vivem com dor. Muita dor. Referem isso frequentemente. A dor psicológica, neste caso, será ainda maior. O psicológico e os estados emocionais influenciam o estado físico e, consequentemente, os combates."

E será possível, num caso extremo, passar por esta situação sem resquícios para o futuro? Quase impossível...

"É necessário conhecer o perfil psicológico de cada atleta, para poder chegar a essa conclusão. Há atletas que entram em ringue com uma raiva enorme e outros que têm mais calma. Contudo, não me parece que alguém passe por isto incólume. Para isso acontecer, o perfil psicológico e as características de personalidade teriam de já ter revelado, por exemplo, uma personalidade anti-social", remata a psicóloga de Saúde.

Por João Seixas
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