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Entre pequenos golpes e narizes partidos: a vida de uma equipa médica no Mundial de kickboxing

Grupo Lusíadas teve equipa presente de forma ininterrupta durante a competição WAKO em Albufeira

Lutadores, árbitros, treinadores, staff e... equipas médicas. Organizar um Mundial de kickboxing não é propriamente uma tarefa fácil quando se tem uma lista de inscritos perto dos 2.000 atletas e um dos pontos essenciais é ter sempre a postos uma equipa dedicada para auxiliar os atletas em momentos de lesão. Algo que acaba por ser perfeitamente normal - muito normal... - num desporto que faz do contacto físico a sua génese.

Em Albufeira, nos Mundiais WAKO, esteve presente de forma ininterrupta uma equipa do Grupo Lusíadas, com a presença de três médicos e sete enfermeiros, sempre atenta a tudo o acontecia nos ringues e tatamis, de forma a estar a postos caso algo aconteça. Um trabalho que até começou antes da competição propriamente dita, já que houve espaço para um briefing sobre a modalidade e as lesões mais comuns e, depois, também um processo de avaliação física para aprovar cada um dos 1.385 atletas presentes.

Depois, com a prova em andamento, a rotina é simples. "Chegamos 30 minutos antes das provas, para preparar todo o material, dividir a equipa. Depois é esperar que alguma coisa aconteça. Ficamos só aqui. Esperamos que algo aconteça. Além de estarmos atentos aos ringues e tatamis, temos dois locais onde podemos resolver outro tipo de coisas, fazer pensos, gelo, avaliar os atletas que se justifica avaliar", disse-nos Carlos Candeias, um dos elementos desta equipa de dez que esteve no Pavilhão Municipal de Albufeira.

Equipas médicas do Grupo Lusíadas estiveram sempre atentas a todos os espaços de combate
Equipas médicas do Grupo Lusíadas estiveram sempre atentas a todos os espaços de combate
Em seis dias de competição tudo correu bem, sem problemas de maior, mas com uma elevada carga de trabalho por lesões 'pequenas'. "Aquilo que tivemos em maior número foram pequenos cortes, pequenas lesões na pele, coisas relativamente simples. E depois o traumatismo e fratura do nariz. Nos primeiros dias, com muitos combates foram muito mais as situações. Mas sempre coisas relativamente simples, que não precisaram de cuidados hospitalares".

Apesar de não ter havido nenhum caso que inspirasse muitos cuidados, houve um pequeno susto logo no primeiro dia. "O mais grave, que não é particularmente comum, foi um pneumotórax. Foi um atleta que veio ter connosco depois do combate, apresentava muita dor no local. Com a avaliação que fizemos percebemos que era", lembrou o responsável médico, que em conversa com o nosso jornal explicou que a lesão que provoca maior preocupação nestas modalidades é o "trauma craniano". "Apesar de todos os atletas usarem capacete, muitas vezes o impacto é de tal forma grande que o traumatismo acontece. Já aconteceu aqui. Tendo as complicações que podem advir, é esse o nosso maior receio", explicou.

Expandir horizontes

Novato nestas andanças dos desportos de combate, Carlos Candeias assume que esta experiência acaba com "balanço positivo". "É uma modalidade que não é das mais conhecidas em portugal, mas foi muito engraçado para nós estarmos aqui e dar o apoio, ver uma vertente diferente das modalidades que temos por hábito acompanhar no Grupo Lusíadas. É expandir os horizontes", concluiu.
Por Fábio Lima
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