Luís Barneto: «No MMA amador estamos melhor»

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Luís Barneto tem sido uma das alavancas do desporto de combate em Portugal. É selecionador nacional, comentador e uma figura que dispensa apresentações neste meio. É por isso o interlocutor perfeito para um ‘raio X’ às Artes Marciais Mistas no nosso país em contexto de pandemia.

Em Portugal

"É difícil fazer um panorama em termos de números e academias. O aspeto federativo do MMA é uma coisa recente, apesar de se estar a trabalhar desde 2014 e desde 2016 com a federação de lutas amadoras, que neste momento é a que tutela o MMA", começou por referir.

"Este processo começou em 2015/2016 e teve um bom resultado em 2018, com o reconhecimento do MMA dentro dessa mesma federação, digamos que acabou por ser como um reconhecimento estatal. Passou a ser reconhecida, mas o processo de fazer com que o MMA, ou as varias equipas e atletas vejam a federação como uma necessidade ainda vai demorar algum tempo, porque foi toda uma década de uma realidade diferente", acrescentou Luís Barneto.

Não obstante, há já academias de uma ponta a outra de Portugal. Apesar de não conseguir precisar em termos estatísticos, o treinador considera que "eventos bastante esporádicos e espaçados" não abonam a favor de se construir uma estrutura forte nestas artes marciais.

Mas também há boas notícias: "No MMA amador estamos melhor. Em 2014 começámos a ir aos campeonatos do mundo da IMMAF, a federação internacional de MMA, altura em que me tornei seleccionador nacional de MMA amador e desde aí já conseguimos algumas coisas".

"Conseguimos uma medalha de prata no campeonato Europa de seniores, uma outra no Campeonato da Europa de sub-20 e uma medalha de ouro no campeonato do mundo de sub-18. E mais alguns resultados e boas participações", concretiza Barneto, sintetizando, ainda assim, que "o MMA em Portugal tem quase tudo por fazer, olhando para outros países".

Pandemia afetou modalidade

A pandemia dificultou o processo: "Neste momento estamos parados. Em termos de treinos de seleção ainda fomos conseguindo fazer qualquer coisa no escalão de sénior, mas agora também esses estão parados. É prejudicial porque não podemos fazer eventos, neste momento nem em ‘streaming’, portanto mesmo sem público não dá, é difícil".

O panorama está tão bicudo, que já se dá o ano praticamente como perdido, embora com uma ponta por onde se lhe pegar. "2020 e 2021, não só para nós, mas creio que para todos os desportos, são dois anos perdidos. Um já foi e outro encaminha-se, embora a IMMAF já tenha provas marcadas para este ano, como o Campeonato da Europa em agosto e o do mundo em novembro, pelo que vamos tentar ir pelo menos com os nossos atletas de seleçao a essas provas", adiantou o selecionador de MMA amador.

"Tencionamos apresentar-nos com atletas de seleção que já mostraram capacidades. Nomeadamente em relação ao José machado, que ganhou a medalha de prata na Europa de sub-20 e agora sobe para sénior e esperamos que consiga trazer uma medalha novamente. Apresentamo-nos como uma equipa pequena até porque não há apoios estatais, portanto sem apoios tentamos 3 ou quatros atletas nessas provas e tentar trazer uma medalha", explicou Barneto, ironizando, até, com a posição de Portugal face a outros países: "No Reino Unido, para se ter uma noção, hão de haver mais atletas só numa categoria de peso do que em Portugal em todas as categorias e todos os escalões juntos".

Apesar de poucos, existem nomes que vão elevando o nome do país: "Recentemente o Leandro Gomes foi campeão do mundo de sub-18. Estreou-se a profissional no Dubai e venceu. Foi uma excelente estreia. Temos o caso do Pedro Carvalho no Bellator. Temos algum destaque".

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