André Soares: «Foi feita história no ciclismo nacional»

Ciclista conquistou duas medalhas na prova que se disputou em Caxias do Sul, no Brasil

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"A primeira vez a gente nunca esquece". A famosa expressão assenta na perfeição ao ciclista André Soares, que fez a estreia nos Jogos Surdolímpicos, que decorreram em Caxias do Sul, no Brasil. O desempenho não podia ter sido melhor: conquistou uma medalha de bronze, na competição de contrarrelógio, e uma de ouro, na prova corrida por pontos.

Ao nosso jornal, André partilhou o sentimento de orgulho por representar Portugal ao mais alto nível. “É o reconhecimento de todo o trabalho, esforço e dedicação que temos nesta modalidade. Não ouvi o hino pois não tinha os aparelhos auditivos colocados, mas emocionei-me quando colocaram a medalha, sobretudo a de ouro, no meu pescoço. Penso que foi feita história no ciclismo nacional. Com 23 anos, fui o primeiro a trazer duas medalhas olímpicas e o primeiro a ganhar a medalha de ouro. Não podia estar mais grato pela oportunidade que me deram. É um feito, que ficará gravado para sempre na minha carreira como atleta”, elucidou o ciclista que frisou não ter tempo para “muitos festejos”. “Depois de ir ao céu, é tempo de colocar os pés bem firmes na Terra. Tenho de me focar nas restantes competições nacionais. Ainda falta terminar a Taça de Portugal e os campeonatos. O grande desafio será a minha condição física.”


Atenções viradas para Tóquio’2025

O sonho comanda a vida, e André Soares, de 23 anos, espera poder revalidar a medalha de ouro nos Jogos Surdolímpicos de Tóquio, em 2025. “É difícil, mas vou tentar. Vou contar com apoios por parte do Comité Paralímpico e da Federação Portuguesa de Ciclismo, que me vão ajudar a estar preparado”, destacou, acrescentando ainda que pretende fazer melhor na prova de contrarrelógio. “É uma das minhas fraquezas. Tenho explosão, mas não é o suficiente. Vou focar-me em melhorar esse aspeto para que possa ambicionar o mais alto patamar do pódio.”

De Estremoz para o Mundo

Natural de Estremoz, André recorda os tempos de infância, em que pegava na bicicleta e subia a serra da localidade, juntamente com a equipa amadora Rota D’OSSA. "A paixão pela modalidade carrego comigo desde criança. Era um menino ‘diferente’ (entre risos). No início, era apenas por diversão, mas rapidamente a vontade de competir e de estar inserido nessa experiência começou a crescer. Entrei para o ciclismo de formação muito tarde, já com 18 anos, na equipa de juniores da Bairrada. Depois, como sub-23 fui representante da equipa de Mato cheirinhos. Fiz uma pausa nessa aventura para me dedicar mais ao trabalho, mas, felizmente, regressei à equipa no ano passado com muito apoio dos meus familiares".

Adolescência sacrificada

Com o sonho de se tornar profissional no desporto que "ama", André Soares confessa que abdicou de períodos da vida, que são muito importantes na vida de um jovem. "Não foi fácil. A minha adolescência e a de muitos atletas jovens, que estão agora a começar no ciclismo, é muito diferente. Não existem tantas saídas à noite, o tempo disponível é para estudar e treinar. O descanso é muito importante porque ainda estamos em fase de crescimento", exteriorizou, recusando a ideia de algum arrependimento. "Tudo é recompensado com as vitórias e os amigos que fazemos e levamos para o resto da vida. Ser ciclista é um trabalho de equipa, ele nunca está só", confessa André Soares.

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