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António Félix da Costa: «Max Verstappen é um caso à parte na Fórmula 1»
António Félix da Costa, de 24 anos, continua atento à prova rainha do automobilismo mundial e descreve aquele que pode ser o próximo craque da modalidade como “uma máquina que está a ser afinada desde os 8 anos pelo pai” para ser campeão
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Como olhou para a ‘polémica’ troca de pilotos entre a Red Bull e a Toro Rosso na Fórmula 1?
ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA – Penso que estava planeada há algum tempo. Os erros que o Daniil Kvyat fez e o que aconteceu no GP Rússia -o acidente na primeira volta com Sebastian Vettel (Ferrari)- foi a oportunidade para a Red Bull pôr o plano em prática. Agora, estará o Max Verstappen pronto para assumir uma equipa de topo, aos 18 anos? Sim, acho que ele é um caso à parte. Não vai haver mais ninguém nos próximos cinco anos com esta preparação. O Verstappen é uma máquina que está a ser afinada desde os 8 anos pelo próprio pai (Jos Verstappen), que já esteve na F1 e que já passou por aquilo tudo.
E a vitória dele no GP Espanha surpreendeu-o?
AFC – Tiro-lhe o chapéu pelo que fez. Teve, obviamente, alguma sorte, porque os dois Mercedes ficaram de fora. No entanto, temos de dar-lhe valor por ter tido o Kimi Raikkonen (Ferrari) atrás e não ter cometido um único erro. Alguém fazer isto com apenas 18 anos é muito complicado. E depois no pódio esteve um pouco emocionado, mas muito calmo. Uma postura natural para alguém que está a ser trabalhado para o objetivo final que é ser campeão do Mundo de F1.
Reconhece o apoio familiar que o Verstappen teve? Afinal, o António viveu sempre nos circuitos...
AFC – Tive a sorte de ter dois irmãos que corriam e uma família apaixonada pelo desporto motorizado. Também fui uma máquina bem construída. Fui o português mais novo de sempre a testar um Fórmula 1 e a fazer bons tempos. Entrei numa equipa campeã do Mundo como piloto de testes, o que demonstra que o trabalho de casa também foi muito bem feito, mas como os ingleses dizem ‘há sempre um cão maior’. O Max surpreendeu tudo e todos e o que fizeram com ele vai ser complicado bater.
Acredita que esta época pode ser melhor do que a de estreia no DTM?
AFC – Ano após ano, o DTM permite-nos melhorar e crescer muito enquanto pilotos. Já consegui mostrar à BMW que mesmo arrancando de trás, não baixo os braços e consigo marcar pontos. Se arrancar em primeiro, consigo liderar uma corrida do início ao fim. Eles sabem com quem podem contar e sinto que há uma grande confiança da parte deles. Agora é encontrar aqueles pequenos detalhes que fazem a diferença no DTM, para conseguir qualificar bem e estar mais próximos da frente.
Como é a relação com a sua equipa no DTM?
AFC –Sobretudo descontraída. Eu e o meu companheiro de equipa (Martin Tomczyk) fazemos algumas brincadeiras e ‘stressamos’ muito menos que os outros pilotos. É este ambiente que falta na maioria dos desportos. Temos de nos divertir, acima de tudo.
É justo dizer que a idade e a experiência não andam obrigatoriamente de mãos dadas?
AFC – Não. O Mundo mudou. Hoje em dia um piloto de 16 anos consegue ter a mesma experiência de, por exemplo, um piloto de 26 anos na década passada. Tudo graças à preparação, que envolve os treinos físicos e os simuladores. Mas também é preciso ter um piloto com a mentalidade certa e que queira aprender. Tive a sorte de ter uma estrutura como a ‘junior team’ da Red Bull, Entrei foi talvez um pouco tarde. Acho que falta em Portugal acreditar em alguém desde muito cedo.
Conseguiu rever-se no Max Verstappen na vitória em Espanha?
AFC -Aos 18 anos não teria feito o que o Max fez nesse fim de semana na F1. Admito com a maior humildade do Mundo. Hoje em dia não teria custado muito. Com 24 anos sei tomar bem conta dos pneus e gerir bem a corrida. Há seis anos quando testei um F1 pela primeira vez sofri um choque. Liderar uma corrida e gerir a situação com aquela idade era muito difícil.
Ainda sonha ser piloto F1, ou a porta está completamente fechada?
AFC – A porta não está completamente fechada. Está entreaberta. Felizmente mantenho boas relações na F1, com a Red Bull e não só. Mas não vivo obcecado com a ideia. Não vou para uma corrida DTM a pensar que tenho de ganhar para entrar na F1. Era um pensamento que me consumia muito e desgastava-me de manhã à noite. Este ano decidi desligar esse ‘chip’. Sei que competir no DTM é a melhor hipótese que tenho para voltar à F1, mas esse já não é o meu foco.