Boxe: Muito melhor que a dança do ventre

Uma inédita equipa feminina vai combater em torneio internacional, no Golden Girl Box Cup na Suécia

A cultura desportiva em Portugal tem mudado. E ainda bem. Pela primeira vez, uma equipa feminina portuguesa, com seis atletas em representação da Rounds Academy (Campo de Ourique, em Lisboa), vai combater num torneio internacional, no Golden Girl Box Cup, que decorre entre sexta-feira e domingo, em Boras, na Suécia.

Mariana Martinho é um dos expoentes da equipa. Aos 16 anos já tem uma medalha de ouro em torneios internacionais – em Boras’2017 – e foi à final do Odivelas Box – perdeu para Sara Filipa (FC Porto) –, com muita pena da sua mãe, de origem indiana, que gostaria muito mais que a sua filha continuasse a praticar a tradicional dança do ventre.

"Tinha um amigo a desafiar-me para vir para o boxe. Fui a uma aula e não gostei. Mas voltei a insistir e cheguei à conclusão que era isto que mais gostava", revelou Mariana Martinho, que tem como grande sonho chegar aos Jogos Olímpicos de 2024.

A confiança de Mariana, estudante do 10º ano em Ciências e Tecnologias, é grande para o torneio sueco: "Espero ganhar a medalha de ouro como em 2017. Para este grupo é muito importante esta prova, pois nunca uma equipa feminina portuguesa esteve tão bem representada numa prova deste nível. Vai ser uma grande experiência para todas."

Outras das craques da equipa é Maria do Mar, também de 16 anos e campeã nacional de cadetes: "Esta representação é um feito no desporto nacional e um bom incentivo para as mulheres. Pratiquei outro desporto de combate, o karaté, mas depois de vir para o boxe adorei. Não é preciso ser uma matulona para estar no boxe. Somos baixinhas e magrinhas. Também não faz sentido fazer a distinção entre desporto para homens ou para mulheres."

Sandra Marques do Boxerpa

Para além da equipa da Rounds Academy, Sandra Marques (70 kg), de 15 anos, também vai combater no torneio sueco, em representação do Boxerpa, de Serpa, Baixo Alentejo. 

Críticas à Federação

O treinador e mentor da Rounds Academy, João Basto, não se escusou a tecer algumas críticas à Federação Portuguesa de Boxe, que este ano perdeu o estatuto de utilidade pública desportiva: "Temos um custo para a viagem a Boras de 4.300 euros, mas ao nível federativo não temos qualquer ajuda financeira. Falta à modalidade, com muita tradição em Portugal, uma entidade que saiba captar, formar e divulgar o boxe amador."

O técnico destacou, igualmente, as virtudes do boxe e da sua versão no feminino: "É uma modalidade formativa e com regras iguais em todo o Mundo. E, ao contrário do que parece, as regras protegem os atletas. Tenho tido atletas para reabilitar, vindos do râguebi, com o diagnóstico de não poderem praticar desportos de impacto para o resto da vida... Quanto ao boxe feminino, é mais estimulante trabalhar com mulheres, não precisam de tantos mimos e têm mais espírito competitivo, capacidade de sofrimento e são mais focadas nos objetivos. Tanto a Mariana como a Maria têm qualidade para chegar aos Jogos Olímpicos de 2024".

Por Alexandre Reis
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