CDP alerta o Governo para não canalizar financiamento só para a elite
Organismo pede apoio transversal
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A Confederação do Desporto de Portugal alertou ainda para o facto de "ao longo dos últimos anos de governação se ter insistido em canalizar, praticamente em exclusivo para os projetos olímpico e paralímpico, as verbas disponíveis para reforçar o financiamento público do desporto". Daniel Monteiro lembrou o anúncio recente do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de um crescimento de 20% para os projetos olímpico e paralímpico para Los Angeles2028, considerando que o mesmo deve fazer parte de uma estratégia global. "Se esta decisão fizer parte de uma estratégia integrada de valorização e reforço estrutural do setor tudo certo. Mas, se se tratar apenas de mais um número político, a juntar-se a tantos outros que o setor foi vendo ao longo dos últimos governos, então importa que todos tenhamos consciência de que, ao investirmos em exclusivo no topo, esquecendo-nos da base, em breve, não teremos atletas a quem reforçar esses apoios", alertou o líder da CDP, após a apresentação do estudo que conclui ainda que a medida legislativa que levou à criação e distribuição das receitas das apostas desportivas por diversas entidades desportivas e pelo movimento associativo "criou um mecanismo pouco criterioso e não solidário, que deverá considerar, no futuro, soluções de compensação".
O Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, esteve atento à apresentação do estudo e deixou uma garantia. "Há um compromisso do Governo que está plasmado no seu programa, que é aproximar o financiamento público do desporto daquilo que são as médias dos países da União Europeia", disse Pedro Dias: "O financiamento é um pilar e há a necessidade de mobilizar a sociedade para a prática do desporto".
Mais números
Sobre as consequências da inatividade física, os resultados nacionais indicam que as 25.000 entidades do setor desportivo produziram cerca de 1,8 mil milhões de euros por ano (2010-12), o que representou 1,2% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da economia nacional e 1,4% do emprego, com 62.814 empregos equivalentes a tempo completo (ETC).
A nível nacional, a taxa de inatividade física da população portuguesa está no último lugar no ranking da União Europeia, com o financiamento para o desporto federado a depender de 84% das receitas dos Jogos Sociais, provenientes da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa/SCML.
Destaque ainda para o facto de em 2023, haver 773.800 praticantes, 29.170 dirigentes, 26.839 treinadores e 18.027 árbitros em Portugal.