COP e IEFP assinam protocolo de apoio a atletas na transição de carreira

Atletas satisfeitos com protocolo

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COP e IEFP unem-se para apoiar atletas na transição de carreira
COP e IEFP unem-se para apoiar atletas na transição de carreira • Foto: Paulo Calado

O Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) assinaram hoje um protocolo de apoio a atletas na transição de carreira, em cooperação com a Comissão e Associação de Atletas Olímpicos.

Numa cerimónia realizada na sede do COP, em Lisboa, formalizou-se o protocolo, que visa identificar qualidades dos atletas, desenvolver formações, acompanhar a integração no mercado de trabalho, aproveitar competências adquiridas durante o percurso desportivo e promover ativamente a formação junto dos diversos atletas.

"Os atletas são a razão de ser deste protocolo. Desejo que todos os que tenham a ambição de estabelecer uma carreira dual encontrem aqui uma plataforma para se valorizarem melhor e facilite a sua integração no mercado profissional. É esse o objetivo, o atleta está no centro das nossas decisões", apontou Fernando Gomes.

O presidente do COP frisou a intenção do organismo em preparar os atletas para o futuro, a seguir ao término das respetivas carreiras desportivas, algo corroborado ainda pelo presidente do Conselho Diretivo do IEFP, Domingos Lopes, no discurso.

"Os atletas olímpicos mostram competências essenciais no mercado de trabalho, valorizadas pelas empresas de todos os setores. Sabemos que a transição é um momento particularmente desafiante. Este protocolo nasce para responder a esse desafio, garantindo que nenhum atleta fica para trás e que o esforço de uma vida encontre portas abertas para novas oportunidades profissionais", expressou.

O ex-canoísta Emanuel Silva, medalha de prata ao lado de Fernando Pimenta, no K2 1.000 metros, em Londres2012, lidera a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) e lembrou que a transição de carreira deverá ser preparada "com tempo e visão".

"A transição de carreira não é um tema que surge apenas quando se abandonam os diversos locais de competição. Começa a preparar-se no dia em que se decide ser atleta. O protocolo hoje assinado é uma ferramenta importante para reforçar o apoio a atletas na formação e empregabilidade", disse Emanuel Silva, de 40 anos.

Também a presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal (AAOP), a ex-nadadora Sandra Neves Sarmento, presente em Seoul1988, considerou que os sucessos de um atleta também se medem pela vida que constrói no pós-carreira.

"A transição de carreira deve ser preparada atempadamente e acompanhada com as ferramentas certas. Estamos a criar mais oportunidades para que os atletas se preparem com maior confiança. Esta colaboração pode gerar soluções concretas e impacto real na vida dos atletas. É mais um passo num caminho que queremos construir, em que os atletas são apoiados em todas as fases da vida", sublinhou.

Em mesa-redonda após a cerimónia protocolar, os atletas Sara Catarina Ribeiro e Pedro Ferreira, licenciados em Ciências Empresariais e Engenharia Aeroespacial, respetivamente, partilharam as visões sobre uma carreira dual no alto rendimento.

"O facto de termos de ultrapassar adversidades, como lesões, traz para empresas uma proatividade que muitas vezes as pessoas no mercado de trabalho não estão habituadas. Sinto que somos 'barrados' logo na análise curricular e só teremos a sorte de ser contratados se nos derem a oportunidade de partilhar o nosso lado e as dificuldades", expressou a atleta, que participou na maratona em Tóquio2020.

Já o campeão europeu em ginástica de trampolins, em 2024, e medalha de bronze mundial por equipas, em 2025, admitiu necessitar de estímulos externos nos seus momentos de intervalo das competições, desde que consiga conciliar os horários.

"Poder ter outras fontes de rendimento tira-nos pressão das provas e mostra que não valemos só pelos resultados. Temos a capacidade de lidar com situações de stress e uma gestão de tempo que praticamos desde miúdos. Eu tenho bastante dificuldade em acreditar que não seja uma mais-valia para uma empresa. É mais uma questão de ter acesso a quem toma essas decisões", explicou Pedro Ferreira.

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