COP não ficou surpreendido com relatório da AMA

Presidente do organismo e o escândalo a envolver os russos

Presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino
• Foto: COP

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) reconheceu que a divulgação de um relatório sobre um programa de dopagem russo com apoio estatal não o surpreendeu e que a resolução da situação será "extremamente difícil e complexa".

José Manuel Constantino começou por referir à agência Lusa que a existência de um programa de dopagem com o suporte das mais altas instâncias políticas russas não é propriamente uma surpresa.

"A questão da dopagem na Rússia não resultava apenas de um problema estritamente desportivo, mas era, digamos, um problema de Estado. Era um problema que envolvia uma atitude política deliberada, organizada, devidamente preparada para que se iludisse o controlo sobre os atletas que utilizavam procedimentos dopantes. Enfim, creio que isto não é propriamente uma novidade. Infelizmente, estranho seria que isso só ocorresse com uma modalidade [atletismo] e que não ocorresse com as outras", considerou.

O presidente do COP assumiu que o Comité Olímpico Internacional (COI) está agora perante uma situação difícil, uma vez que entre os atletas russos haverá muitos que nunca recorreram ao sistema, esta segunda-feira, destapado por um relatório da Agência Mundial Antidopagem (AMA).

"Bom seria que fosse possível separar aqueles que são responsáveis e aqueles que o não são. Agora, o problema que o relatório evoca já não é um problema apenas dos atletas, é das autoridades, é da responsabilidade do estado russo, das autoridades russas, dos políticos russos, dos governantes russos. E aí, de facto, toma uma escala, toma uma proporção, que já não diz respeito apenas aos atletas per si", analisou.

José Manuel Constantino não vislumbra qual seja a saída para este problema: "Vamos ter de aguardar o posicionamento do COI e das federações desportivas em relação a esta matéria. Mas estamos perante um facto, a escassos dias do início dos Jogos, que é uma situação extremamente difícil e complexa".

O máximo responsável olímpico português mostrou-se esperançado de que o sistema esta segunda-feira revelado se cinja à Rússia, mas referiu que, infelizmente, não acredita que seja um caso apenas russo.

"Oxalá que fiquemos apenas por este país e não haja outros também que têm sistemas de organização similares e que procuram através dos seus sistemas de administração desportiva iludir os procedimentos dopantes", defendeu.

Um relatório independente divulgado esta segunda-feira, pela AMA concluiu que o Governo russo dirigiu um programa de dopagem no desporto com apoio estatal, com participação ativa do ministro dos Desportos e dos serviços secretos.

O relatório do professor canadiano Richard McLaren refere que o programa "à prova de falhas" foi colocado em prática pelos responsáveis russos, inclusivamente durante os Jogos Olímpicos de Inverno Sochi'2014.

De acordo com o documento, o ministro dos Desportos da Rússia, Vitaly Mutko, teve "participação ativa" neste sistema, que teve a assistência dos serviços secretos nos laboratórios antidopagem de Moscovo e Sochi.

Por Lusa
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