Degradação do Ginásio Clube de Tavira cancela jogo de futebol juvenil

Clube e autarquia estão de costas voltadas

Aquilo que vinha sendo anunciado há muito tempo aconteceu este domingo, em Tavira, com a equipa de arbitragem nomeada para apitar mais um dia de futebol juvenil na cidade do Gilão a dar o terreno de jogo impraticável para a realização dos jogos, expondo a situação no relatório de jogo à Associação de Futebol do Algarve, à Câmara Municipal e ao Ginásio Clube de Tavira.

Os juízes evocam para a não realização do jogo o facto de a "integridade física dos jovens estar colocada em causa",  pelas péssimas condições do sintético, que, diga-se e como testemunhámos, de sintético já pouco tem.

Vários treinadores das camadas jovens não se cansaram de alertar, nas redes sociais, para o perigo constante a que os jovens estavam sujeitos diariamente: relvado onde a borracha já não existe e o cimento é um perigo sempre que o atleta nele cai, péssimas condições no recinto, degradação total, traduzida também nas bancadas fechadas ao público e em situação de derrocada, pista de ciclismo sem condições algumas para nela a modalidade ser praticada em segurança, balneários de uso não recomendável, e toda a envolvente que mais parece uma selva.

E eis que o único espaço que ainda era utilizável veio a ser interdito este domingo para já para a prática do futebol. E agora? 

É essa a pergunta que paira no ar,  pois resta saber como irá agir a Associação de Futebol do Algarve, se irá interditar preventivamente o relvado até serem resolvidas as condições de segurança ou se será dado um prazo aos envolvidos no processo para conseguirem uma solução.

O presidente do Ginásio Clube de Tavira lembra que este relvado sintético tem já 20 anos: "Já deveria ter sido mudado há dez e que devido à falta de manutenção nos últimos anos, tem vindo a deteriorar-se de forma galopante tal como todo o complexo."

E tudo pelo diferendo existente entre a coletividade (proprietário do complexo) e a autarquia de Tavira, com quem rubricou um protocolo de cedência das instalações por 25 anos, mas que, segundo José Manuel Reis, o mesmo "há muito não vêm sendo cumprido por várias divergências quanto ao que foi escrito e não cumprido pela mesma [autarquia], estando mesmo em Tribunal todo esse processo."

O presidente do Ginásio de Tavira refere ainda que o clube está disposto a retirar essa queixa que dura há anos, uma imposição da autarquia para avançar com as obras. "Para bem dos jovens que estão a ser os principais prejudicados e para que os tavirenses não se envergonharem de mostrar um complexo em ruínas a quem os visita". José Manuel Reis disse-nos também que clube e autarquia "têm estado em contacto nos últimos tempos, na procura de resolução deste grave problema, tendo ambos apresentado alternativas ao protocolo então assinado, mas que estão difíceis de chegar a um consenso".

De todas as formas, ainda de acordo com o dirigente, o Ginásio Clube de Tavira  vai realizar uma Assembleia Geral no próximo dia 22 de abril, onde o ponto único da ordem de trabalhos é o diferendo com a Câmara Municipal de Tavira,  levando aos sócios as contra-propostas apresentadas pela autarquia e as do próprio clube, "com vista a terminar com todo este gravíssimo processo. Os sócios têm uma palavra muito importante a dizer".

Record tentou, por várias vezes, o contactar com o vereador do Desporto da Câmara Municipal, Eurico Palma, para ouvirmos o que teria a dizer sobre este processo e toda a situação vivida este domingo com o cancelamento de um jogo de futebol juvenil, mas tal não foi possível.

Recorde-se que Tavira é uma cidade que continua a não ter um Complexo Desportivo Municipal (campo de futebol), que muito tem sido prometido, mas que até ao momento nunca foi concretizado. Nesse sentido, tem sido o Complexo Desportivo do Ginásio Clube de Tavira o utilizado.

Caso a Associação de Futebol do Algarve interdite o recinto, ficará unicamente em condições de ser utilizado o campo anexo ao Pavilhão Municipal, mas com uma condicionante, não tem medidas nem condições de segurança para jogos oficiais, a não ser para escolinhas e pouco mais.

A pergunta que irá fica no ar é a mesma, onde passarão a jogar os iniciados, juvenis e juniores? Uma pergunta para a qual ainda não há resposta...

Autor: Luís Santos
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