Federação de Remo deixou de ser insolvente
Mandatos polémicos de Rascão Marques criaram um enorme buraco financeiro...
A Federação Portuguesa de Remo (FPR) navegou por águas bastante turvas, após dois mandatos muito polémicos de Rascão Marques – demitiu-se em agosto do ano transato –, que até levaram à intervenção do Ministério Público.
Em causa o buraco “nunca inferior a um milhão de euros”, segundo declarações de Joaquim Sousa (ex-presidente da comissão administrativa), que terá levado a instituição à insolvência, entretanto levantada no mês de abril.
O novo presidente da FPR, Luís Ahrens Teixeira, chegou a classificar a modalidade como “o BPN do desporto português”, em declarações à agência Lusa no mês passado, onde fez acusações graves:“Havia certificações legais de contas que não passavam em assembleia geral de qualquer empresa. No remo passaram. Os clubes aceitaram e o Estado deixou passar. O Estado foi conivente com o que se passou no remo em Portugal”, disse o dirigente.
As acusações levaram o próprio secretário de Estado do Desporto e da Juventude (SEDJ), Emídio Guerreiro, a desafiar Luís Ahrens Teixeira a concretizar as acusações, tendo o presidente federativo abrandado a sua atitude após reuniões com o governante e José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP).
“Há problemas graves na federação de remo, mas os problemas que [Luís Ahrens Teixeira] diz de roubo ultrapassam-me e aí já não estamos a falar de um problema do foro do desportivo mas de justiça”, considerou Emídio Guerreiro.
Quanto a Luís Ahrens Teixeira, diz que a polémica já foi discutida e está ultrapassada, preferindo, agora, delinear o futuro da modalidade:“O plano de recuperação da FPR já foi aprovado e está a ser cumprido.”
Embaixadores
No meio de toda esta tempestade, que afundou a credibilidade do remo português a nível nacional e internacional, surgem dois embaixadores da modalidade, os remadores olímpicos do Sporting, Pedro Fraga e Nuno Mendes, que estiveram muito perto das medalhas, com o 5.º lugar alcançado em double scull (LM2x) nos Jogos Olímpicos de Londres’2012.
Pedro Fraga, de 30 anos, explicou como duas modalidades distintas, mas com infraestruturas e características comuns, porque estão ligadas à água, se distanciaram em termos de sucesso com o decorrer da última década:“A canoagem, por exemplo, começou a ter bons resultados internacionais, através de Emanuel Silva, 7.º nos Jogos de Atenas’2004, e o remo não se ficou muito atrás, com o LM2x a ficar no 8.º lugar em Pequim’2008. O que é certo é que a federação de canoagem soube aproveitar o bom momento e dar um grande impulso à modalidade, ao criar um grupo forte, unido e competitivo, que cresceu e se consolidou. Já o remo isolou-se da comunidade e estagnou, com muitos problemas no seu seio.”
O remador e o seu companheiro foram, durante este tempo, um oásis no deserto. “Investimos muito no início, mas a partir do momento em que conseguimos resultados internacionais passámos a ter melhores condições. Sabemos que a nova direção federativa está a fazer um esforço grande para recuperar a modalidade, criando as condições a que todos temos direito”, concluiu Pedro Fraga.
Rascão Marques
Contactado por Record, o ex-presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR), Rascão Marques, recusou-se a comentar as acusações feitas por Luís Ahrens Teixeira, atual líder da FPR, à gestão dos seus dois mandatos. “Não vou fazer declarações sobre esses comentários, pois será confrontado no local certo. Fica a falar sozinho. Mais tarde direi alguma coisa. Naturalmente que me sinto magoado com toda esta situação, porque há verdades que as pessoas não sabem. Para já, não está nos meus planos regressar à modalidade”, sublinhou Rascão Marques à nossa reportagem.