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José Jardim: «Voleibolistas do Benfica são amadores ...profissionais»

APÓS A SUBIDA DE DIVISÃO, O TÉCNICO ELOGIA EQUIPA

DECORRIA o ano 1994, quando o Benfica – então sob a administração de Jorge de Brito – extinguiu a equipa sénior de voleibol. Desde essa época – na qual, assinale-se, os encarnados tinham terminado em terceiro lugar um campeonato dominado por outra das ”potências” entretanto extintas, o Sporting –, nunca mais se viram as camisolas encarnadas em jogos da divisão principal.

Uma situação que acabou este fim-de-semana, quando, no fim do segundo parcial do encontro Benfica-Fiães, chegou a notícia que todos esperavam na equipa da Luz: o Leixões tinha vencido o Marítimo e o Benfica subia à divisão principal.

Esse momento foi o culminar de uma longa caminhada que começou em 96/97, na III Divisão. Um percurso que o treinador do Benfica, José Jardim, caracteriza de ”tranquilo em termos desportivos, e muito cimentado, com uma forte aposta na formação”. Esta era a única solução: afinal, o Benfica vivia uma situação financeira extraordinariamente difícil.

”Chegou-se a falar na possibilidade de o clube integrar directamente a A1, mas isso implicaria um investimento financeiro que o Benfica não podia comportar”, admitiu o técnico encarnado, acrescentando a propósito do reflexo das dificuldades económicas do clube da Luz nas modalidades amadoras: ”Fomos os primeiros a sofrer o terramoto e os primeiros a reerguer o edifício.”

Talvez por isso, o vice-presidente do Benfica, José Manuel Antunes, refere o voleibol como ”o exemplo perfeito da filosofia que a actual Direcção tem vindo a seguir. Agora espero que estejamos, em breve, a lutar pelo título”.

José Manuel Antunes que, a par com o responsável pela secção, Sousa Seco, e o director da equipa, Evaristo Silva, são apontados por José Jardim como ”peças fulcrais no trabalho que se tem vindo a desenvolver no voleibol do clube”.

”Desde há muito que somos amadores... profissionais, no esforço e na dedicação”, declarou Jardim, acrescentando que ”nunca sentimos a obrigação de vencer , mas tínhamos a responsabilidade de representar o Benfica”.

CAPITÃO ENCARNADO QUER REGRESSAR AOS GRANDES JOGOS

A equipa de voleibol do Benfica tem duas particularidades que parecem querer fazer remontar às origens da colectividade encarnada: o plantel é constituído exclusivamente por jogadores portugueses e verdadeiramente amadores.

O capitão benfiquista, o ”veterano” Nuno Brites, tentou resumir as dificuldades do grupo de trabalho: ”O nosso percurso foi difícil. Mas mesmo jogando contra equipas profissionais, com orçamentos três vezes superiores ao nosso, conseguimos concretizar o objectivo: a subida à Divisão A1.”

Nas últimas jornadas, as dificuldades foram acrescidas pela pressão que transformava cada partida numa ”final”. Contudo, e talvez muito por culpa desse nervosismo, a tão ansiada vitória tardava em acontecer. Uma versão que o capitão benfiquista rejeita: ”Para nós, a pressão funcionou um pouco ao contrário, levando-nos a jogar no limite. Procurámos, isso sim, pensar que a subida era uma certeza e dar o nosso máximo.”

”O importante é o Benfica voltar aos grandes palcos do voleibol, até porque há muita gente com ’fome’ de ver a nossa equipa jogar contra as grandes formações do voleibol nacional”, afirmou o capitão das águias.

Uma opinião facilmente confirmada pela observação das bancadas do Pavilhão Borges Coutinho nas jornadas decisivas para a subida: completamente cheias de público entusiasta.

CARLOS MARIANO

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