Moçâmedes - a terra do Faria

Aventura em Angola

Deixo aqui um ponto prévio para justificar os dias que separam este escrito da última crónica que publiquei na página online do Record: o percurso foi-se tornando mais duro, o tempo mais curto e ao fim de cada etapa, depois de montado o acampamento, feito o jantar e lavada a loiça, apesar da colaboração de todos, pouca vontade havia para escrevinhar fosse o que fosse e ainda menos para tratar as muitas fotos que entretanto se fizeram pelo caminho. Optámos, pois, por deixar para o regresso a continuação dos escritos (curtos, que as imagens dizem tudo) sobre esta aventura por terras de Angola e da Namíbia que se prolongou por mais de 6000 quilómetros.

Feito o esclarecimento, situemo-nos então à partida de Luanda para Sul, com destino final no Namibe, depois de nos despedirmos do casal Manuela Cyrne e Zé Pinheiro que nesta cidade nos receberam principescamente. Tomámos a estrada que nos levaria até ao Miradoiro da Lua, pela barra do rio Kuanza e por Cabo Ledo, pelo meio de centenas de macacos, através do Parque Nacional do Kissama e daí sempre a descer, para Sul, ao lado de praias maravilhosas, algumas verdadeiros paraísos para os surfistas, até Porto Amboim e o Lobito.

Serra da Leba
Dado o adiantado da hora e os muitos quilómetros feitos acabámos por pernoitar aqui, mesmo na praia, perto de um dos mais conhecidos restaurantes da cidade. Riscos? Nenhuns! Angola está tranquila, se esquecermos os eternos problemas de Luanda, onde ainda há bairros «complicados». Mas o resto do país por onde andámos é pacífico e nunca tivemos qualquer tipo de incidente com a população, bem pelo contrário.  Nem com a polícia, de quem se conta histórias pouco agradáveis. Bem pelo contrário, as autoridades angolanas, quer nas fronteiras, quer fora delas, foram sempre simpáticas e nada implicativas. Limitavam-se a pedir-nos…água!

E já agora, por falar em alojamento, é de facto inacreditável como Angola «desperdiçou» até agora as suas incríveis potencialidades turísticas. Ao contrário da sua vizinha Namíbia, onde proliferam lodges, resorts e campings, os quais mesmo na época baixa são utilizados por milhares de pessoas, aqui não é fácil encontrar alojamentos para aqueles que, como nós, optam por conhecer o país numa praticamente autónoma viatura 4x4 equipada com tendas de tejadilho. Claro, nas cidades há sempre o recurso a hotéis, por regra caros, mas para quem anda preferencialmente fora de estrada (o que é normal em Angola!) e por zonas pouco habitadas a única solução é mesmo o campismo «selvagem».

Um percalço no trajeto
Continuemos então a aventura. Vimos Benguela e provámos a sua Cuca, que nos diziam ser totalmente diferente da Cuca luandense, passámos pela Lucira e após um desvio para ver os célebres Arcos fomos «aterrar» à terra do Faria, o Namibe (ou Moçâmedes, cuja designação do tempo colonial parece ter sido reposta após decisão popular), o nosso mais «velho» companheiro de viagem – mas rijo que nem um embondeiro, apesar dos seus 81 anos – que ali viu nascer as suas duas filhas… A casa lá estava e as recordações de muitos anos também. Foi bom ouvi-lo contar as suas histórias, as suas aventuras, as alegrias e também as tristezas, sobretudo as relacionadas com a guerra civil que obrigou a família a deixar uma terra que continuam a amar. O Faria voltará àquela sua terra vermelha e, quem sabe?, porventura não voltará só.

Daqui, esperava-nos a Namíbia, já que a ida à Baía dos Tigres e à barra do Cunene tornaria impossível concretizar outros dos grandes objectivos da viagem: a descoberta das tribos Himbas. E lá fomos…

Por Eládio Paramés
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