Record Aventura: A malta dos jipes no Sahara argelino

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São onze e meia da noite de terça-feira. A picanha está grelhada, o feijão preto pronto, o arroz no ponto. Finalmente, vamos ter uma refeição à nossa maneira, em Ghardaia, num parque de campismo que ficou por nossa conta. Houve gin tónico, há vinho e cerveja, vai haver café e, seguramente, um Porto e um Medronho para digestivo. A Malta dos Jipes merece tudo isto, depois de um dia em que foi preciso «palminhar» quase 700 quilómetros, desde Oran.

Merece-o até porque, antes tinham sido dias muito intensos, desde a nossa chegada a terras argelinas, no domingo. Intensos e mal dormidos, pois o atraso de quase cinco horas do ferry que nos trouxe desde Almeria até Oran (ou Orão, se preferirem) e toda a burocracia fronteiriça fez com que já passasse das cinco da manhã quando entrámos no hotel onde pernoitámos. E tivemos de dormir muito rapidamente, pois ainda de madrugada arrancámos para a descoberta desta segunda maior cidade argelina.

Acompanhados pelas inevitáveis guias e escolta militar, lá fomos para a cidade e podemos assegurar que o que vimos nos surpreendeu. A nós e a Camus, que na peste bubónica que assolou a cidade se inspirou para escrever o seu conhecido romance «Apeste» que lhe valeria a conquista de um Nobel. A influência francesa é evidente (muito mais do que a espanhola) e só é pena que a conservação de alguns edifícios não acompanhe aquilo que foi feito, por exemplo, no forte de Santa Cruz ou na antiga Catedral, hoje transformada em biblioteca nacional, ou mesmo na estação ferroviária. Ou, ainda, no impressionante edifício da Ópera, ainda hoje funcional. Oran é uma cidade jovem, dinâmica, com um comércio muito activo, um trânsito caótico, e uma população que mostra acompanhar (com a distância a que obrigam as diferenças culturais e/ou religiosas) aquilo que se passa no dito mundo ocidental.  

O dia passou rápido; a noite foi também curta (o convívio fez passar o sono) e obviamente o caminho para Ghardaia tornou-se mais duro. Menos mal que estrada era boa e as sucessivas escoltas que nos acompanharam (a polícia muda de cada vez que também mudamos de comuna) andaram bem e algumas vezes bem depressinha. Mesmo assim, como se depreende pelo início desta crónica, só chegámos tarde e a más horas ao camping Oásis que nos acolheu. Chegámos cansados, mas felizes, pois tudo está a correr bem, sem incidentes e muito menos sem acidentes. Mas a aventura está ainda no início e até agora foi tudo fácil e tranquilo, mas amanhã, depois de visitarmos Ghardaia , cidade também ela Património Mundial da Humanidade, e resolvermos dois pequenos problemas nas máquinas, arrancaremos para o coração do Sahara. E aí, as histórias serão outras para estes 15 aventureiros. Esperem pelos próximos capítulos.

Texto: Eládio Paramés

Fotos: Isabel Paramés    

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